Sem-terra tentam entrar em Curitiba
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Trinta dias depois da morte do agricultor Antônio Tavares Pereira, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tenta realizar na manhã de hoje uma entrada simbólica em Curitiba. No dia 2 de maio, caravanas do MST foram impedidas de chegar à capital. Os ônibus que traziam os manifestantes foram barrados pela Polícia Militar, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Naquele dia, a rodovia foi o local de dois confrontos entre sem-terra e policiais. Pereira, de 38 anos, morreu baleado por um soldado no primeiro choque com a PM.
A programação do ato público em homenagem ao militante do MST, que era assentado em Candói, na região central do Estado, será iniciada por volta das 8 horas no Parque Barigui. De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), responsável pela organização do protesto, cerca de 80 ônibus dos três Estados da região sul são esperados na passeata.
O advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darcy Frigo, disse que a presença de políticos durante a chegada na cidade visa garantir a entrada pacífica dos trabalhadores em Curitiba. Na época dos confrontos, a Secretaria de Segurança Pública justificou a operação na BR pois o MST planejava invadir prédios públicos.
Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Roberto Requião (PMDB) e a senadora Eloísa Helena (PT-SP) confirmaram presença na manifestação. Depois dos discursos que serão feitos no Barigui, a marcha seguirá em direção ao centro da cidade. Por volta do meio-dia está prevista uma celebração em frente a Catedral Basílica Metropolitana.
A partir das 14h30, o protesto ganha outro enfoque. Os manifestantes farão novo ato público em frente da agência do Banestado na rua XV de Novembro contra a privatização do banco e a falta de investimentos na agricultura familiar. Em seguida, os professores em greve de fome na Casa do Jornalista vão receber uma moção de solidariedade dos manifestantes.
Os protestos terminam no final da tarde com concentração na Boca Maldita, no centro de Curitiba. Para o advogado Darcy Frigo, que está sob proteção da Polícia Federal há um mês, os sem-terra vão conseguir entrar em Curitiba desta vez. O governo do Estado se desgastou demais naquele massacre da 277. Frigo disse que resolveu pedir proteção depois das ameaças de morte que alegou ter recebido por causa de sua atuação para defender os interesses do MST.


