Curitiba- Os sem-terra acampados na fazenda da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), em Ponta Grossa, dizem temer represálias por causa da prisão dos suspeitos de envolvimento com milícias armadas, que atuariam contra os trabalhadores rurais. Segundo um dos líderes do acampamento Emiliano Zapata, que preferiu não se identificar, eles já vinham sendo ameaçados por supostos funcionários do tenente-coronel Valdir Copetti Neves, que é dono de uma área vizinha. O policial militar está entre os oito presos pela Polícia Federal (PF), na última terça-feira, na operação batizada ''Março Branco''.
Cerca de 100 famílias vivem no acampamento desde 2003. Segundo o sem-terra, muitas delas deixaram a área devido ao ''clima de insegurança'', já que desde o início do ano passado, os ''capangas de Neves'' estariam fazendo ameaças, exibindo suas armas e dando tiros para o alto. Disse, também, que seu nome estaria em uma suposta lista de sem-terra marcados para morrer.
''Quem está acampado, sempre tem medo'', afirmou a deputada federal, Selma Schons (PT-PR), que é de Ponta Grossa. Segundo ela, as ameaças e violência contra os trabalhadores rurais sem-terra são antigas e só voltaram à tona agora por causa das investigações da PF. ''O Brasil não precisaria estar nessa situação se já tivesse feito sua reforma agrária'', ponderou a deputada, afirmando que cobrará do Ministério da Justiça um posicionamento sobre as denúncias de formação de milícias no Paraná.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra, que reúne 11 senadores e 11 deputados federais e investiga os conflitos no campo e a reforma agrária, vai acompanhar o trabalho da PF do Paraná. Os parlamentares devem ouvir os depoimentos dos suspeitos em duas semanas.
O superintendente da PF, em Curitiba, Jaber Makuo Hanna Saad, disse que não dará detalhes sobre as investigações, que estão em andamento. Adiantou, apenas, que a maioria dos presos se reservou ao direito de falar somente em Juízo e que sem-terra e fazendeiros também serão chamados a depor.
O advogado de defesa de Neves, Cláudio Dalledone, informou que pediu, ontem, cópias dos procedimentos criminais e das provas levantadas contra seu cliente para a juíza da 1 Vara Federal de Ponta Grossa, Sílvia Regina Salau Brollo. Depois de analisar a documentação é que irá traçar as estratégias para tirar Neves da prisão.

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