Sem-terra têm até amanhã para sair de fazenda em Itararé
Agência Folha
O Incra tem prazo até amanhã para encontrar outro local para abrigar os 600 sem-terra que ocuparam há mais de duas semanas a fazenda Rio Verde, em Itararé (SP), município localizado na divisa entre os Estados de São Paulo e Paraná. Reunião ontem em São Paulo entre representantes do Incra, MST e governo estadual impediu a operação da Tropa de Choque da Polícia Militar, que se deslocaria ontem de São Paulo para Itararé para cumprir o mandado de reintegração de posse. A juíza da comarca de Itararé, Elizabeth Ashikawa, concordou em dar um prazo de dois dias para que o Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) consiga na região uma área para os sem-terra.
Apesar do acordo em São Paulo, os sem-terra quebraram ontem mais de 500 metros de cerca, botaram fogo em parte do pasto e destruíram porteiras, possibilitando que o gado escape da propriedade. Eles também utilizaram trator da fazenda para fazer uma barreira de terra na estrada sem pavimentação que dá acesso à fazenda. De carro, não há maneira de se chegar às porteiras da Rio Verde.
Mesmo com o acordo, a Polícia Rodoviária Estadual, em Itararé, recebeu mensagem da PM solicitando um local para estacionar o caminhão-tanque que abastece helicóptero e carros da Tropa de Choque.
O dono da fazenda, Cyro Resende Maschietto, disse que vai cobrar da União na Justiça os estragos provocados em sua propriedade pelos sem-terra. Ele está revoltado com a ocupação da fazenda. Eu saí da minha casa para me hospedar no hotel. Eu estou vivendo como clandestino e os sem-terra estão lá destruindo todo a propriedade, afirmou.





