A direção regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema (SP) decidiu, no início da noite de ontem, suspender o bloqueio da agência do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio, no interior do Estado de São Paulo, e conceder um prazo de 15 dias para que a Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária do Pontal do Paranapanema (Cocamp) tenha seu nome retirado da lista de inadimplentes do banco.
Segundo o líder dos sem-terra, José Rainha Júnior, o MST também acertou com a direção do banco a liberação do crédito de custeio para a safra deste ano que começará a ter os financiamentos liberados na terça-feira.
Logo depois da decisão, a mulher de Rainha, Diolinda Alves de Souza, comandou a assembléia das mulheres acampadas na frente do banco determinando a desativação do movimento.
O problema da Cocamp foi o verdadeiro motivo que levou cerca de 300 mulheres e crianças ligadas ao MST a bloquear a agência do BB anteontem. A informação foi dada ontem por Rainha ao explicar que a versão inicial de que o bloqueio visava forçar a liberação de créditos de custeio agrícola para as famílias assentadas na região ‘‘foi apenas a gota d’água de um problema muito maior’’.
O dirigente acusou o Banco do Brasil de atuar deliberadamente para prejudicar os projetos de reforma agrária no Pontal. De acordo com o líder sem-terra, a Cocamp foi incluída no Cadastro de Inadimplentes (Cadin), que registra os devedores de tributos e de bancos federais, por ser avalista de cerca de 130 assentados, que não pagaram os financiamentos de custeio, contraídos no ano passado.
Por essa razão a cooperativa ficou impedida de receber um financiamento no valor de R$ 3 milhões autorizado pelo BNDES e que será usado como capital de giro das agroindústrias do MST do Pontal.
O líder sem-terra reconhece a dívida dos assentados, mas informou que a comissão estadual do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera) já autorizou a prorrogação dos contratos o que, em sua opinião, legaliza a situação dos devedores e consequentemente da Cocamp.
O gerente do banco em Teodoro Sampaio, Ronald Allen Coulter, confirmou as informações de Rainha e disse que a direção do banco em São Paulo foi informada da situação e que está estudando o assunto: ‘‘Há dúvidas se a comissão estadual do Procera tem competência legal para autorizar a prorrogação dos contratos’’, disse.

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