Sem-terra soltam mais um lote de 450 animais da 7 Mil
Maurício Borges
Enviado a Ivaiporã
Os sem-terra, que ocupam a Fazenda 7 Mil, em Ivaiporã (150 km ao sul de Apucarana), estão mesmo dispostos a soltar todo o rebanho de bovinos da propriedade. Ontem, os trabalhadores rurais sem-terra abandonaram mais 450 animais na estrada que liga o distrito de Bentevi a Ivaiporã. Foi o quarto lote de bovinos que os sem-terra retiraram da 7 Mil, nas últimas semanas, totalizando cerca de 1.500 cabeças.
Um grupo de 15 cavaleiros do próprio acampamento dos sem-terra saiu às 10 horas da fazenda conduzindo a boiada, que seria solta no Parque de Exposições da Sociedade Rural de Ivaiporã. Depois de metade do trajeto de 12 quilômetros, a boiada estourou e invadiu as pastagens de uma fazenda, na região de Bentevi.
Líderes do acampamento admitiram que o gado está sem os tratos e bastante debilitado. Outro problema, segundo eles, é que estes animais estavam alongados num dos retiros da Fazenda 7 Mil, que tem 5.700 alqueires. Nestas condições, eles ficam muito ariscos, dificultando sua locomoção, comentou João Orzekoski, ao justificar que a boiada fugiu ao controle dos cavaleiros.
Orzekoski, um dos líderes do acampamento da 7 Mil, que reúne 650 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reafirmou ontem que todo o rebanho será mesmo retirado da propriedade. Temos várias áreas preparadas para plantio de feijão, mandioca e milho e não dá para conciliar essas lavouras com o gado, que pisoteia e destrói tudo.
Quanto à desapropriação ou não da fazenda, que se arrasta há mais de dois anos sem solução na Justiça e no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Orzekoski informou que surgiram duas alternativas para acabar com esse impasse e apressar o assentamento das famílias.
Ele revelou que numa nova reunião, realizada anteontem, entre os dirigentes do Incra e do MST, ficou definido que o órgão e o Estado tentarão uma negociação direta com o proprietário, Flávio Pinho de Almeida, visando a desapropriação da fazenda. Outra alternativa seria verificar a situação do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), onde Pinho de Almeida ganhou o último recurso para anular o ato de desapropriação do Incra.
Ontem, no início da noite, funcionários do fazendeiro e 12 peões tentavam deslocar a boiada que foi abandonada pelos sem-terra até o parque de exposições da Sorcep, em Ivaiporã. Um dos administradores da fazenda disse à Folha de Londrina/Folha do Paraná que o estado dos animais é deplorável, e que ainda não dispõe de uma área adequada para alojá-los.





