Sem-terra se revoltam com resultado
Sem-terra se revoltam com resultado
Imediatamente após ouvirem o anúncio da sentença pelo juiz Ronaldo Valle, integrantes do MST acampados em frente ao local do julgamento passaram a atirar pedras e paus contra os cerca de 100 policiais militares que faziam a segurança do local.
Houve tumulto e a tropa de choque da PM posicionou-se para um possível confronto que acabou não ocorrendo devido à interferência de deputados e representantes de movimentos sociais. Dois sem-terra saíram feridos e foram atendidos no setor médico da Universidade da Amazônia. O MST acusou os PMs de terem ferido várias pessoas a golpes de cassetete, inclusive uma mulher de cerca de 60 anos e uma criança. Os PMs prenderam dois integrantes do MST, que foram levados para a delegacia da Pedreira.
O prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT), criticou a decisão dos jurados, afirmando que o Pará escancarou as portas da impunidade contra aqueles que cometem crimes contra os trabalhadores do campo.
O coronel Mário Pantoja foi inocentado por quatro dos sete jurados; o major José Maria Oliveira, por cinco e o capitão Raimundo Lameira também por cinco. Os advogados dos acusados comemoraram efusivamente a absolvição.
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pará, Raimundo Nonato Coelho de Souza, afirmou que a absolvição foi uma tremenda farsa. Segundo ele, os militantes do movimento ficaram decepcionados com o resultado. Porém, revelou que a ocupação de fazendas e a luta pela desapropriação de áreas já ocupadas no Sul do Estado, ao invés de esmorecer, será intensificada.
O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédille, que participou de uma reunião com dirigentes regionais do movimento, advogados, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e partidos políticos para definir a estratégia para tentar derrubar a absolvição dos três oficiais da Polícia Militar, foi taxativo: Vamos promover manifestações em todas as capitais do País para pressionar o Tribunal de Justiça a anular o julgamento.
JuizO juiz Ronaldo Valle explicou que agiu dentro do que estabelece o Código de Processo Penal na formulação dos quesitos submetidos à votação dos jurados. Se eu não agisse dentro da lei, aí sim poderia provocar a anulação do julgamento. A acusação sustenta que o terceiro quesito vai contra o sexto. No terceiro quesito, a maioria dos sete jurados entendeu que os réus eram culpados pelas lesões, mas no sexto consideraram, também por maioria, que as provas nos autos eram insuficientes para condená-los.





