Recife - Sem-terra de três acampamentos da zona da mata norte pernambucana saquearam na manhã de ontem cerca de 2,5 toneladas de macarrão e 70 quilos de bolacha parte da carga de um caminhão da indústria alimentícia Dellavita e desviaram outros três caminhões-baú para dentro do canavial às margens da PE-62, no município de Goiana, a 85 quilômetros do Recife. Os sete ocupantes dos veículos foram feitos reféns.
Avisada por um telefonema anônimo, a Polícia Militar chegou ao local, impediu um saque maior e prendeu João Pereira da Silva, 66 anos. Os outros fugiram. Ele foi autuado em flagrante e encaminhado para a cadeia da cidade. Os coordenadores e lideranças regionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) serão convocados a depor pelo delegado de Goiana, Artur Tito, que pretende indiciar todos por roubo qualificado (artigo 157 do Código Penal), que prevê penas de quatro a 10 anos de prisão.
Por volta das 18h, sem-terra fizeram outro saque na BR-232, município de Custódia, no sertão, a 340 quilômetros do Recife. Eles sabiam de antemão da passagem de um caminhão particular carregado com produtos da Sadia e numa ação rápida, sem intervenção policial, levaram toda a carga de salsichas, linguiças e presunto.
O coordenador do movimento na área, José Sérgio, não sabia calcular a quantidade saqueada. ''Deu para encher uma caminhonete S-4''. Segundo ele, os produtos seriam ser distribuídos com as famílias acampadas em cinco acampamentos nos municípios de Custódia, Pedra, Capoeiras e Arcoverde.
''Os saques são um recado para Lula'', afirmou Joseneide Rodrigues, de 23 anos, do acampamento Bonito, no município de Condado, que ajudou a descarregar macarrão e bolacha do caminhão saqueado. ''A gente quer que ele veja nos jornais o que a gente fez, veja que a gente está passando necessidade''.
O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), João Farias, que participou de reunião com uma comissão representante das 100 famílias dos dois acampamentos, reconheceu que até agora somente 7 mil cestas foram distribuídas em Pernambuco, que precisa de no mínimo 20 mil por mês (estimativa do Incra de famílias acampadas). O Incra está agilizando o cadastramento dos acampados no Fome Zero. Uma equipe de 20 digitadores foi contratada e tem trabalhado em rodízio no cadastramento, que está sendo feito em conjunto com os movimentos.

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