Cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram presos em flagrante ontem por porte ilegal de armas durante a desocupação da Fazenda Itambé, em Jundiaí do Sul (64 km ao sul de Jacarezinho). Cerca de 80 integrantes do movimento haviam invadido a fazenda no dia anterior, por volta das 19 horas. A desocupação foi determinada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. ''Apesar de a área estar sendo negociada, a ocupação é inadmissível'', disse ontem o secretário da Segurança Pública, Luís Fernando Delazari.
A operação para desocupação da fazenda de 160 alqueires, de propriedade do empresário Júlio César Giovanetti Júnior, teve início por volta das 9 horas e foi coordenada pelo comandante da 1 Companhia da Polícia Militar de Santo Antônio da Platina, Capitão Antônio Carlos Morais. ''Apesar das prisões em flagrante, a desocupação está ocorrendo de forma pacífica'', afirmou. Segundo o capitão, cerca de 150 homens foram mobilizados para a operação.
Os trabalhadores rurais detidos não foram identificados pela Polícia. Com eles foram apreendidas uma pistola, uma garrucha e três revólveres. Os sem-terra foram encaminhados para a delegacia de Santo Antônio da Platina para registro do flagrante. Segundo o integrante do MST, que se identificou como Moraes Batista, dois dos trabalhadores teriam sido agredidos durante a desocupação. ''Não precisavam nos agredir. Da forma como chegaram, nem daria tempo de reagirmos'', disse.
Batista disse que o grupo decidiu invadir a Fazenda Itambé após tomar conhecimento das negociações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a aquisição da propriedade, com valor estimado de R$ 4,6 milhões. A fazenda já havia sido invadida há cerca de 15 dias por outro grupo de trabalhadores rurais do MST e a reintegração de posse havia sido pedida pela juíza da comarca de Ribeirão do Pinhal, Ângela Sonetti Biazus.
Segundo o auxiliar de administração da fazenda, Vágner Silva, a ocupação de anteontem teria ocorrido de forma pacífica. ''Porém, a invasão de dez dias atrás foi tumultuada e eles devem ter nos causado um prejuízo de cerca de R$ 3 mil'', estimou.
Segundo o capitão Morais, a PM tem suspeitas de que o grupo que invadiu a fazenda pela primeira vez seja o mesmo que teria dado apoio armado a cerca de 400 famílias do MST que entraram em conflito com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Norte do Paraná pela ocupação da Fazenda Pau D'Álho, em Ribeirão do Pinhal. ''Eles invadiram a Itambé e na madrugada do dia seguinte, teriam enviado um grupo para apoiar os rurais da Pau D'Álho'', disse. Na ocasião, dois sem terra foram feridos, sem gravidade.
Segundo a PM, os sem-terra concordaram em deixar a área e foram levados de volta, em um ônibus e um caminhão, para o acampamento em São Jerônimo da Serra. Além das armas de fogo, a polícia também apreendeu cerca de 30 foices, facões e facas.(Colaborou Luciana Pombo)

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