Sem-terra são presos durante desocupação
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quarta-feira, 24 de maio de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
Dois sem-terra foram presos ontem por porte ilegal de arma durante desocupação da Fazenda Santo Antônio, em Paranacity (66 quilômetros ao norte de Maringá). Segundo a polícia, Reinaldo Gomes e Dário Francisco da Silva tinham espingardas dentro das barracas. No acampamento foram localizados também 18 coquetéis molotov, feitos de garrafa com combustível. A ação foi calma, sem incidentes, garantiu o major José Rigoni Filho, do 8º Batalhão da PM de Paranavaí, que comandou a reintegração da área.
Os cerca de 250 policiais, de batalhões da região e do Grupo de Operações Especiais (GOE), de Curitiba, chegaram na área por volta das 6h40. Eles cercaram a fazenda e entraram gritando. Todo mundo teve que deitar no chão, disse a sem-terra Maria Sirlei Alonso Santos. Ela calcula que das 80 pessoas que acampavam na área, existiam pelo menos 30 crianças. A polícia humilha a gente mesmo todo mundo respeitando a ordem, afirmou.
O major Rigoni disse que não foi preciso nenhum tipo de ação para retirar as famílias. Todos ouviram as ordens e começaram a recolher a mudança, afirmou. A Fazenda Santo Antônio tem 275 alqueires e pertence ao produtor Osvaldo Pareja, de Presidente Prudente (SP). Segundo os sem-terra quando a propriedade foi invadida, em novembro do ano passado, abrigava 25 cabeças de gado leiteiro de Pareja e mais 300 animais de outro criador, que arrendava o pasto.
Os sem-terra, segundo Maria Sirlei, ocuparam apenas a sede e a pastagem da fazenda, deixando a área arrendada liberada. As famílias que acampavam na área também estavam com uma lavoura de milho de aproximadamente oito alqueires. Que está quase na hora de colher, mas nós vamos perder, lamentou ela. A maior parte dos sem-terra, segundo o major Rigoni, tem casa ou morava em municípios vizinhos, para onde foram levados.


