Sem-terra são mortos em emboscada no sul do Pará
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Agência Estado Belém 
Dois trabalhadores rurais sem-terra foram mortos a tiros de revólver e espingarda por um grupo de pistoleiros domingo, na Fazenda Volta do Rio, em Eldorado de Carajás, a 680 quilômetros ao sul de Belém. A fazenda está ocupada por cerca de 80 famílias desde o início do ano. O sem-terra José Edino dos Santos, ferido no ombro e nas costas, disse no hospital de Marabá, onde está internado, que ele e outros lavradores foram apanhados em uma emboscada quando construíam uma cerca de arame em volta da fazenda. Não tive nem tempo de me defender. Ouvi um tiro, olhei para o lado e logo me derrubaram com um tiro no ombro. Caí de costas e recebi outro. Para não morrer, me fingi de morto, contou aos policiais.
O perito Benedito dos Anjos, da polícia científica de Marabá, esteve na fazenda acompanhando a remoção dos corpos, ainda não identificados. Ele disse que os dois sem-terra foram mortos com requintes de crueldade. Um deles teve a calota craniana arrancada a tiros e levada pelos criminosos, informou. A outra vítima recebeu vários tiros no peito e rosto. Raimundo Corrêa, gerente da fazenda, escapou porque se escondeu no mato. Corrêa se nega a voltar ao local. Se eu voltar para lá estarei assinando meu atestado de óbito.
A Fazenda Volta do Rio, de três mil hectares, fica nos fundos da antiga fazenda Macaxeira, hoje assentamento 17 de Abril, controlada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em fevereiro deste ano, um vaqueiro foi morto dentro da mesma fazenda. Segundo Nonato de Souza, da coordenação do MST em Marabá, há muito tempo que a entidade vem pedindo ao Incra a desapropriação da Volta do Rio.
O pessoal que ocupa essa fazenda não foi organizado por nós, por isso está desprotegido contra emboscadas, explicou. Nonato acusa a direção do Incra em Marabá de agir com lentidão no encaminhamento de processos de desapropriação de terras a Brasília. A polícia de Eldorado de Carajás pediu reforço de policiais civis de Marabá para entrar na Volta do Rio e verificar se há outras vítimas.


