Sem-terra são expulsos por homens armados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de abril de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Quarenta e cinco famílias da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) foram expulsas na madrugada de ontem da Fazenda Palheta, em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), ocupada pelos integrantes do movimento desde o início do ano, por supostos seguranças do Grupo Atalla, proprietário da área. Os sem-terra alegam que foram ameaçados por homens armados e voltaram para o local por volta das 15 horas, após a chegada de policiais militares.
O líder dos trabalhadores informou que a fazenda foi ocupada porque está em processo de desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A reportagem tentou confirmar a informação, mas, devido ao feriado, ninguém foi localizado no órgão. Os trabalhadores rurais disseram ter sido escoltados para as margens da PR-090, rodovia que liga Alvorada do Sul a Bela Vista do Paraíso. O trecho foi interditado pelos manifestantes com o objetivo de ''chamar a atenção da polícia e da imprensa.''
A manifestação foi acompanhada por homens das polícias Militar e Rodoviária. Galhos e troncos de árvores e pneus foram queimados pelos integrantes do movimento. De acordo com o tenente Anderson Piske, da Polícia Rodoviária, os participantes do movimento atenderam o pedido para que a pista não fosse mais ocupada. Ele acrescentou que, apesar do feriado, o tráfego no trecho ainda não era intenso no início da tarde.
''O protesto é para mostrar que o Grupo Atalla não pode usar pistolagem para expulsar a gente de casa. Eles chegaram e meteram revólver na cabeça de crianças e de mulheres grávidas. Muitas famílias tiveram que correr para o meio do mato'', afirmou Celso Damasceno, dirigente da Contag. O movimento ocupa ainda a Fazenda Itaverá, que pertenceria ao Atalla, também em Alvorada do Sul. Cerca de cem famílias estariam nos dois acampamentos.
Ao voltar para os barracos, os sem-terra encontraram os pertences pessoais revirados, lonas cortadas e objetos, como telefones celulares, destruídos. Integrante do movimento há cinco anos, Priscila Martins, 20, ficou indignada ao constatar o estrago feito pelos supostos seguranças do Grupo Atalla. ''Até mataram o galo de estimação do meu filho'', lamentou.
Cartuchos de espingarada calibre 12 foram recolhidos pela PM. O tenente Sílvio Marcos Moraes disse que a corporação faria rondas pelo local, inclusive durante a madrugada. Ele informou ainda que o caso deverá ser investigado pela equipe da Delegacia de Alvorada do Sul.
Os integrantes do movimento afirmaram que funcionários dos proprietários foram vistos no local enquantos voltavam para os barracos. Um carro vermelho, que seria de um fiscal do Grupo Atalla, foi flagrado pelos trabalhadores e equipes da imprensa.
Ao entrar em contato com a Usina Central do Paraná, que pertence ao grupo Atalla, a reportagem da FOLHA foi informada que nenhum diretor estava na empresa para prestar informações.


