Paulo Pegoraro
De Cascavel
Dois lavradores sem-terra foram mordidos por cães da Polícia Militar, e pelo menos duas mulheres disseram ter sido agredidas fisicamente por policiais, na manhã de ontem, na frente da agência central do Banco do Brasil em Cascavel. Os assentados montaram um acampamento no local para protestar contra o impasse na liberação de recursos para o plantio.
Havia grande revolta porque os manifestantes não provocaram nenhum incidente e a própria superintendência do banco havia determinado previamente a suspensão do expediente como prevenção a algum tumulto. O lavrador José Extekotter, 42 anos, de Cascavel, que foi mordido na perna, relatou que um policial ‘‘afrouxou a corda’’ do cachorro deliberadamente, para que atacasse. ‘‘Eles treinam cachorro para atacar gente pobre, pois nunca vi fazerem isso com rico’’, protestou o lavrador.
João Jora, 45 anos, foi mordido na barriga, pouco abaixo do umbigo. ‘‘O cachorro pulou para me pegar na garganta, e eu consegui desviar, senão não sei se estaria vivo’’, disse Jora. Segundo os dois, não houve qualquer motivo para o ataque.
Beatriz de Oliveira, 24 anos, de São Miguel do Iguaçu, disse ter sido agredida por um policial, mesmo estando com o filho de 4 anos no colo. ‘‘Ele veio para cima de mim com um cachorro, me agarrou, rasgou botões da minha blusa e me jogou contra o poste.’’
Adriana Chaves, 17 anos, também de São Miguel do Iguaçu, relatou que foi jogada contra o corrimão da entrada do banco por um policial (com cachorro), e outro teria apontado a arma para ela. Adriana garante ter chegado a ver o policial ‘‘engatilhar aquela baita espingarda’’.
O tenente Emarlei Flores, que comandava o policiamento no local – reforçado por homens do Grupo de Operações Especiais (GOE) – afirmou que houve ‘‘um incidente’’. Segundo ele, os fatos se originaram a partir do momento em que um dos assentados mordidos teria ‘‘relado no cachorro, que instintivamente atacou’’, e depois o animal teria se voltado contra o próprio policial que o segurava. O oficial garantiu que não havia ‘‘nenhuma intenção’’ de agredir os lavradores. Logo depois do conflito, os cachorros e a maior parte dos policiais foram retirados do local.
Com relação ao grande número de policiais no local – aproximadamente 20, inclusive do GOE, que geralmente atua em situações de conflito – e de cachorros, o tenente disse que eles foram concentrados na área apenas porque estava sendo iniciado o serviço de policiamento, principalmente na faixa do Calçadão. Ainda segundo o tenente, logo depois os policiais se espalhariam, assumindo suas tarefas.
A partir de segunda-feira, o MST vai ocupar as agências do BB nos pólos regionais do Estado, engrossando o movimento dos agricultores familiares, que também reivindicam créditos para a safra de verão.

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