Edna Mendes
De Cornélio Procópio
O arrendatário de uma parte da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Bandeirantes (34 quilômetros a leste de Cornélio Procópio), Antonio Magno Garcia Ribeiro, denunciou ontem que os sem-terra que estão acampados na fazenda teriam matado quatro vacas e desaparecido com outros oito animais de seu plantel. Ele também afirma que os sem-terra incendiaram uma área de cerca de 100 alqueires. A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Curitiba, informou desconhecer o caso.
Segundo ele, a fazenda é divida em duas partes e há cerca um mês os sem-terra tinham ocupado a área arrendada pelo agropecuarista Rodrigo Pavan. Anteontem, eles invadiram também a área arrendada por ele e abateram os animais. ‘‘Encontramos as carcaças de pelo menos quatro vacas, inclusive vacas com embriões de raça. Na terça-feira o advogado dos sem-terra esteve falando conosco e nos propusemos a colaborar com os acampados’’, afirmou.
O agropecuarista disse que os sem-terra exigem que ele retire as 300 cabeças de gado da área. ‘‘Eu já me comprometi a tirar o gado, mas quando o Incra desapropriar a área. Essa situação na fazenda é insuportável. Os sem-terra andam armados e fazem constantes ameaças aos meus funcionários’’, diz.
A parte arrendada por Ribeiro tem 80 alqueires e, segundo ele, apenas 30% da área pode ser utilizada para a agricultura. O restante só teria aproveitamento para pecuária. Na fazenda, estão acampadas cerca de 30 famílias, provenientes de Jundiaí do Sul. A fazenda está sob interdição do Banco do Brasil. Ribeiro disse que mesmo assim vai entrar com pedido de reintegração de posse pela área arrendada por ele. ‘‘Nós somos de paz, mas a polícia e o governo do Estado têm se mostrado omissos em todas as questões relacionadas a reforma agrária.’’
A Folha procurou por diversas vezes os coordenadores regionais do MST, mas foi informada na sede do movimento em Curitiba, que eles estariam participando de um encontro.

mockup