Sem-terra são acusados de destruir fazenda
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os proprietários da Fazenda Três Marias, em Manoel Ribas (município que fica 146 quilômetros ao sul de Apucarana), vão pedir na Justiça a indenização de todos prejuízos com a ocupação das terras em maio de 2003 e com a reintegração de posse feita na semana passada. De acordo com a agropecuarista Maria das Mercedes Lacerda, de 40 anos, a invasão promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocorreu no dia 12 de maio do ano passado. Dois dias depois, a família conseguiu reintegração de posse que só foi cumprida na quarta-feira da semana passada e que durou quatro dias.
''Ocorreu um certo descaso do governo do Estado com uma ordem judicial. A reintegração de posse demorou muito para acontecer e os prejuízos que tivemos são incalculáveis. A fazenda era nossa fonte de renda. Por um ano e meio não tivemos como sustentar nossas famílias por causa da invasão'', afirmou ela, em entrevista à Folha. Além do prejuízo com a ocupação, Maria das Mercedes lamenta ainda a destruição da fazenda no processo de reintegração de posse. ''Está tudo destruído. Máquinas, motores de serraria, nossa oficina completa, tudo foi destruído e furtado. Os gados que não conseguimos tirar foram roubados. As sedes da fazenda estão sem condições de uso. Os gastos para voltar a produzir serão enormes'', avaliou ela.
A Fazenda Três Marias tem 900 hectares e produz desde soja e feijão até milho e batata. Os fazendeiros tiveram ainda que arcar com um custo de R$ 50 mil para a retirada das 2 mil famílias que permaneciam no terreno. ''Tínhamos pressa para a desocupação e arcamos com mais este prejuízo. Agora estamos pagando parcelado o empréstimo para pagarmos o frete dos sem-terra'', afirmou. O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, denunciou ontem que os furtos nas fazendas ocorrem porque o governo do Estado não age com rigor nos processos de desocupação.
''A Polícia Militar não tem pulso firme no combate às invasões. A desocupação já deveria ter ocorrido há dois meses, quando os policiais foram até a área e recuaram. Os sem-terra é que mandam e fazem o que querem. Eles riem da polícia. Dessa forma a situação só tende a ficar cada vez pior. Eu dou um aviso ao governo: as violências ocorrem nas invasões e não nas reintegrações de posse'', disse Prochet, indignado. A assessoria de imprensa do MST informou ontem que a desocupação da área foi pacífica e acompanhada pela Polícia Militar.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública informou que assim que os proprietários registrem queixa na delegacia local, vai intensificar o processo investigativo para descobrir o paradeiro dos materiais furtados. Quanto ao processo de indenização, a assessoria esclareceu que é um direito dos proprietários ajuizar ações judiciais e apresentar as provas que acharem contundentes para ressarcirem os eventuais prejuízos sofridos com as ocupações de terra.


