Porto Seguro, BA, 20 (AE) - Os dois mil integrantes do Movimento dos Sem Terra que estão acampados em Eunápolis, a 50 quilômetros de Porto Seguro, decidiram hoje romper o trato que haviam feito com o governo da Bahia e marchar para a cidade no sábado (22), dia em que o presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e o presidente de Portugal, Jorge Sampaio, estarão em Porto Seguro para participar das comemorações dos 500 anos do País. Hoje, eles fizeram uma manifestação em Eunápolis.
"Vamos seguir os festejos da programação oficial porque é a única forma de conseguirmos marcar uma audiência com o presidente", afirmou hoje Lúcia Barbosa, uma das líderes do movimento na Bahia. Na pauta de reivindicações do MST estão o assentamento dos cinco mil sem-terra do estado e a abertura de linhas de créditos para os acampamentos. Estava prevista para a noite de hoje uma reunião, na qual os integrantes do MST iriam definir suas ações em Porto Seguro.
O comandante geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Jorge Santos, coordenador da segurança na cidade durante os festejos dos 500 anos, afirmou hoje que estão mobilizados até o dia 27 5.147 homens, entre policiais militares e civis. Foram armadas dez barreiras policiais nas principais entradas da cidade. Somente na estrada que liga Eunápolis a Porto Seguro foram armadas oito barreiras. Oficialmente, as barreiras tem por objetivo evitar a entrada de armas e drogas na cidade, mas o MST acredita que a polícia queira impedir a entrada dos manifestantes.
"Se eles vierem com o espírito desarmado não haverá problemas, mas bagunça não vamos permitir", disse Santos. "Existe o direito de ir e vir, mas existe também o dever de respeitar a lei." A secretária de Segurança do estado, Katia Alves, esteve reunida durante toda a tarde com o comando da PM para fechar os últimos acertos do esquema de segurança. Apesar da intenção dos sem-terra de virem para a cidade e do grande efetivo de policiais já espalhados pelas ruas de Porto Seguro, o clima na cidade hoje era de tranquilidade.
Funcionários da Prefeitura e do Governo do estado passaram o dia dando os últimos retoques nas obras que serão inauguradas no sábado (22), na presença dos presidentes, como a recuperação do centro histórico e da área da reserva indígena de Coroa Vermelha, e o Centro de Convenções. De olho nos festejos dos 500 anos, o governo da Bahia investiu, nos últimos três anos, R$ 150 milhões em obras de infra-estrutura e recuperação da cidade. "Um dos pontos mais importantes é que tiramos os índios da condição degradante em que viviam em Coroa Vermelha", afirmou o secretário estadual de Planejamento, Luiz Carreira.
Na área das terras indígenas dos Pataxós, foram construídos um museu do índio, além de um centro comercial para abrigar as lojas de artesanato indígena - já devidamente batizado pela população de patashopping.
Além das inaugurações, estão previstos ainda para o sábado (22) a parada naval, na qual estará a réplica da nau capitânia de Pedro álvares Cabral, entre outras curiosidades. Também está prevista a chegada dos barcos que participaram da Regata Internacional Oceânica. As embarcações saíram de Lisboa no dia 8 de março, do mesmo local de onde saiu Cabral, e refizeram a rota do navegador.
No sábado à noite será ainda apresentado o espetáculo O Dia Em Que o Brasil Nasceu, com a participação de 150 atores.

mockup