Sem-terra resistem a despejo no MS
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por João Naves de Oliveira 
Campo Grande, 24 (AE) - Cerca de 800 sem terra estão resistindo a um despejo, com força policial, na Fazenda Austrália, em Deodápolis, a 292 quilômetros de Campo Grande. Cerca de 200 policiais militares chegaram ao local nesta madrugada. Os sem-terra queimaram totalmente duas pontes de madeira e parcialmente uma terceira para impedir o acesso dos policiais à fazenda. Também bloquearam as estradas com toras, cavaram trincheiras e colocaram mulheres e crianças como escudos para o caso de um enfrentamento. Os lavradores ocuparam a propriedade há quatro meses. Os policiais estão reconstruindo as pontes.
De acordo com o comandante da operação, tenente coronel PM José Pedro Moura, o despejo será feito e possivelmente sem o uso da força, apesar da resistência dos sem-terra. O despejo é o primeiro de uma série de seis que estão para ser cumpridos desde 1997. A pressão dos fazendeiros sobre os deputados estaduais fez com que os parlamentares ameaçassem pedir intervenção federal no Estado. Então o governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o "Zeca do PT", determinou as reintegrações de posse.
Há quase 10 mil sem-terra em seis fazendas invadidas no Estado, a Santa Rosa, em Sete Quedas; Pajussara, em Ponta Porã; Guassú, em Angélica; Diamantino, em Anastácio; Austrália, em Deodápoles, e Santo Antônio, em Itaquirai.
O comandante da PM, tenente coronel Francisco Carlos Moreira, afirmou ter designado 800 homens para fazer os despejos dos sem-terra. A ordem é para que só voltem aos quartéis quando toda a missão estiver cumprida. O coronel Moreira, acredita que o trabalho mais delicado será na Fazenda Santo Antonio, onde há mais de 6 mil sem-terra acampados desde de novembro de 1997. Eles são ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O secretário estadual de Segurança Pública, Franklin Masrhua, disse que um relatório elaborado pelo Serviço Reservado da Polícia Militar informa haver muitos sem-terra armados com revólveres e espingardas na Fazenda Santo Antonio. Ele adiantou que o despejo desse grupo poderá acontecer até quarta-feira.


