Curitiba, 28 (AE) - No fim de semana cerca de 500 sem-terra reocuparam a Fazenda Rio Novo, em Querência do Norte, no noroeste do Paraná, de onde haviam sido retirados em 7 de maio. A polícia deteve 22 pessoas, que foram levadas para a delegacia para averiguação, mas apenas uma ficou presa. Para evitar que a invasão seja ampliada, dezenas de policiais bloqueavam hoje as vias de acesso à fazenda. É tenso o clima na cidade.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, Deni Gonçalves da Silva, irmão do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra na região, Nildemar da Silva, que tem prisão preventiva decretada e está foragido, teria apontado um revólver para o tenente Rogério Baltazar da Silva e puxado o gatilho, mas a arma falhou. Nildemar foi indiciado por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma.
O coordenador do MST Rogério Mauro afirmou que as famílias reocuparam a área "por necessidade". Elas teriam plantado 35 alqueires de feijão, 35 de mandioca e 10 de milho e precisavam colher. "Não abrimos mão das ocupações, pois entendemos que são legítimas e legais", afirmou Mauro.O MST garante que o processo de desapropriação da fazenda está em Brasília e só não teria decreto até agora por ser área de fronteira.
Acusa - O MST acusou a polícia de ter espancado o advogado Avanilson Alves Araújo, que os defende, depois de ele ter se identificado. Ele fez exame de corpo de delito e apresentou queixa.
Reunião - O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), disse hoje que não se recusa a receber uma comissão dos sem-terra que estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu desde o dia 8. "Apenas acho que temos de trabalhar numa agenda positiva, se o objetivo é encontrar algo positivo, que não ameace a sociedade paranaense, que não ameace a base de nossa economia, vou estabelecer o diálogo." Lerner afirmou não ser contra os movimentos sociais. "Mas não posso admitir a baderna."O governador insistir que o governo federal precisa garantir recursos para a compra de terras. O coordenador do MST Rogério Mauro disse que, além da terra é "preciso acabar com a violência contra os sem-terra".

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