CONFLITO NO CAMPO Sem-terra reocupam área no Noroeste Famílias retornaram ontem à Fazenda Figueira, de onde haviam sido retiradas na semana passada; seguranças que estavam no local reagiram Fotos Marcos NegriniCONFRONTOOs policiais militares e um grupo de sem-terra, na entrada da fazenda: um ferido e viaturas danificadasMesmo armados, seguranças abandonaram a área: em menor número Marcos Zanatta De Maringá O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mobilizou ontem mais de 400 pessoas para retomar a Fazenda Figueira, em Guairaçá (26 quilômetros a noroeste de Paranavaí). Um ‘‘segurança’’ da fazenda, um sem-terra e um policial ficaram feridos sem gravidade. Três viaturas da PM foram danificadas. Na sexta-feira da semana passada pelo menos 600 policiais militares desalojaram as 150 famílias que estavam há quatro meses acampadas na propriedade. O líder do movimento afirmou que a permanência naquele local é uma ‘‘questão de honra’’ (ver texto ao lado). A ação dos sem-terra começou no início da noite de anteontem, com o posicionamento do grupo nas divisas da propriedade. Por volta das 23 horas, 10 seguranças que guardavam a entrada da fazenda, que pertence à Santa Maria Agropecuária, informaram à Folha que tudo estava tranquilo. Os sem-terra, vindos de dois assentamentos que fazem divisa com a Figueira, entraram em grupo às 6h30 de ontem. Os mais de 20 seguranças que estavam na área, fortemente armados, reagiram atirando contra os sem-terra. João Lori Macri, 32 anos, levou um tiro de raspão no pescoço. ‘‘Senti o baque e caí de costas’’, contou. Os seguranças, que estavam em menor número e reclamavam que as armas não eram suficientes para enfrentar os sem-terra, fugiram da área. Eles ainda ameaçaram atirar nos jornalistas que estavam no local e de tomar os carros da reportagem da Folha e do O Estado do Paraná. Com a situação dominada, os sem-terra tomaram a sede da fazenda. Um dos funcionários da propriedade, Milton Rodrigues, liberado alguns minutos após a retomada da área, disse que foi ‘‘abandonado’’ pelos companheiros, e que apanhou dos ‘‘invasores’’. ‘‘Estava na mangueira tirando leite quando fui alcançado. O resto do pessoal correu’’, disse. A menos de cinco quilômetros da sede, os 20 seguranças, armados com revólveres, pistolas, espingardas e escopetas calibre 12 pararam os repórteres da Folha e do Estado. Por cerca de três minutos ficaram com as armas apontadas para os jornalistas, até que um deles, que se comportava como líder, liberou as duas equipes. Duas horas depois da ação do MST, cerca de 12 policiais militares com quatro viaturas e três PMs do serviço reservado, com um carro descaracterizado, desceram até a área ocupada pelos sem-terra. Os policiais posicionaram as viaturas na estrada e alguns foram até a porteira da fazenda. Os sem-terra receberam os policiais de forma hostil, chamando o grupo de ‘‘covarde’’, e atirando paus e pedras contra os PMs. Em poucos minutos, os sem-terra passaram a apedrejar as viaturas. Três veículos tiveram vidros quebrados e lataria amassada. Um dos policiais, não identificado, teve a perna ferida por uma pedra. Os policiais deixaram a entrada da fazenda em poucos minutos, depois de detonar uma bomba de gás entre os sem-terra. No caminho de volta a PM encontrou os seguranças, em frente a uma casa ainda na zona rural do município. O segundo-tenente Giraldes ordenou que o local fosse revistado e os homens identificados. Os PMs encontraram apenas um cinto com 21 cartuchos de calibre 12 no local. Por volta das 11h30, três veículos com os seguranças deixaram a cidade. O segurança ferido, segundo informou o Hospital de Guairaçá, é Rogério Martins, 22 anos, que levou um tiro de raspão no pescoço.

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