Sem-Terra reocupam a Fazenda Rio Novo
Marcos Zanatta
A Polícia Militar prendeu 27 sem-terra durante a reocupação da Fazenda Rio Novo, ocorrida anteontem em Querência do Norte (113 quilômetros ao norte de Paranavaí). O advogado Avanilson Alves Araújo, assessor jurídico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), denunciou que foi agredido durante a reocupação. Todos os sem-terra detidos foram liberados, sob alegação do advogado de que não havia motivo para as prisões.
A propriedade havia sido desocupada pela PM no início de junho. Mas no sábado, cerca de 500 famílias voltaram a invadir a fazenda, apesar do grande número de policiais e viaturas na entrada da área, que era utilizada como quartel da PM naquela região.
Segundo informações do advogado Hugo Francisco Gomes, da Rede de Advogados Populares, o primeiro grupo de sem-terra que chegou na Rio Novo conseguiu entrar na propriedade no início da tarde de sábado. Dois veículos que vinham em seguida foram barrados pela PM, que prendeu 17 sem-terra. O advogado Avanilson Araújo, que se dirigia para o local, foi parado e agredido por policiais. Ele apresentou queixa à Polícia Civil, identificando os agressores, e também apontando o soldado Carlos Roberto de Campos, que o teria ameaçado de morte.
Ontem, segundo Gomes, a PM continuava a prender sem-terra, sem mandado ou motivo. Os policiais simplesmente paravam o sem-terra na rua e levava para a delegacia, reclamou o advogado. Foram presos 10 integrantes do MST, todos liberados pela Polícia Civil. Pedimos ao pessoal para não sair às ruas, evitando novas prisões, informou Gomes.
Ele disse ainda que as cerca de 400 famílias que foram para a Rio Novo estavam no acampamento montado pelo MST em uma área do movimento, na saída da cidade para o Pontal do Tigre. Desde o início da manhã de ontem, segundo o advogado, a PM fazia várias barreiras. Uma na entrada da cidade e várias na estrada de acesso à fazenda reocupada.
Ninguém entra e ninguém sai. Nem comida o pessoal pode levar para os acampados, lamentou Gomes. Ele acha que só uma reação política pode reverter a situação criada na cidade com a reocupação da propriedade. A PM de Querência do Norte e Loanda, onde fica a companhia regional, não passou nenhuma informação sobre as ocorrências.
O comandante da PM em Querência, identificado apenas como tenente Baltazar, segundo os policiais, não estava na cidade ontem. Em Paranavaí, onde fica o comando da Polícia Militar na região, o oficial do dia, tenente Casemir, também não estava no quartel ontem à tarde.
O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse em Curitiba que a Polícia Militar foi orientada a evitar o confronto com as famílias que voltaram a ocupar a área. O secretário comunicou que o fechamento dos acessos à fazenda foi realizado para impedir novas invasões. Martins confirmou que durante a invasão foram detidas algumas pessoas que portavam armas irregularmente. A Folha tentou ouvir a versão do governo sobre a acusação de agressão policial a um advogado do MST, mas não teve resposta até 19 horas. (Colaborou Dimitri do Valle).





