Sem-terra reivindicam assistência a prefeito
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
De acordo com o advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Paulo Roberto Sale, um grupo de 25 acampados da Fazenda Nossa Senhora Aparecida ocupou ontem, por algumas horas, a Prefeitura de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio) para fazer uma série de reivindicações ao prefeito Lino Martins (PDT). O prefeito negou que a prefeitura tenha sido ocupada pelo grupo.
Segundo Sale, os sem-terra reivindicaram sementes, assistência médica aos acampados e a reativação de quatro escolas localizadas nas proximidades da fazenda. No caso das sementes, por exemplo, os agricultores querem que a prefeitura doe 100 sacas e em contrapartida os acampados se dispõem a devolver o dobro das sacas para que o município utilize nas creches, explicou.
O advogado afirmou que o prefeito se comprometeu em dar assistência médica aos acampados e ficou de analisar junto a Secretaria Municipal de Educação a possibilidade de reativar as escolas que estão paralisadas. Quanto as sementes, ele disse que o município não tem condições de fornecer.
O prefeito garantiu à Folha que o grupo de sem-terra não esteve ontem na prefeitura. Ele disse que apenas uma mulher do acampamento solicitou uma consulta médica e outro agricultor pediu um pedaço de lona para cobrir seu barraco. Além dessas duas pessoas que vivem no assentamento, não recebemos mais ninguém aqui com nenhuma outra reivindicação.
Sale disse estranhar o motivo pelo qual o prefeito quis esconder a visita do sem-terra à prefeitura. Não há motivo para isso. Na ocupação da Fazenda Nossa Senhora Aparecida vivem hoje 83 famílias, sendo que 16 são de Bandeirantes. Dos 370 hectares da área, 120 foram cultivados pelos sem-terra com plantações de milho, feijão e leguminosa. Segundo o MST, as sementes foram doadas pela comunidade.





