Belém, 28 (AE) - Cerca de 500 das 800 famílias de trabalhadores rurais que foram despejadas da fazenda Cabaceira na segunda-feira invadiram ontem (27) a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Marabá, no sudeste do Pará. Elas alegam não ter para onde ir e já montaram dezenas de barracas de lona no local, afirmando que a ocupação é por tempo indeterminado.
O superintendente em exercício do Incra na região, Ruberval Gomes, suspendeu parte do trabalho e avisou que até sexta-feira poderá fechar a sede do órgão e mandar os funcionários para casa. "Temo que haja invasão dos escritórios e quebra-quebra, como ocorreu em março passado", disse. Gomes viajou a Brasília em busca de recursos para acelerar melhorias em 200 assentamentos.O dinheiro, cerca de R$ 140 milhões, é para construção de estradas, escolas, postos de saúde e moradia.
Gomes disse que os sem-terra, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, recusaram a Gleba Carajás, oferecida pelo Incra, para assentar as famílias que estavam na Cabaceira. O Incra daria aos sem terra transporte e cestas básicas. A gleba fica no município de Utupiranga, a 140 km de Marabá.
De acordo com o MST, os trabalhadores rejeitaram a oferta do Incra porque a Gleba Carajás fica numa área sem nenhuma infra-estrutura para abrigar as famílias, é foco de malária e está distante da rodovia principal, a Transamazônica. "Nosso objetivo é voltar para a Cabaceira, pois a fazenda pertence ao Estado e não à família Mutran, que se diz dona da área", afirmou a coordenação estadual do movimento. O MST acusa o governo do Pará de promover uma "campanha de desmoralização" da entidade pela grande imprensa.
Nota - Em nota divulgada hoje uma delegação de igrejas protestantes da Suíça que esteve em Marabá acompanhando o despejo na Cabaceira condenou a ação da Polícia Militar. Os protestantes afirmam que crianças saíram feridas durante a desocupação e pedem dos governos federal e do Pará uma "solução urgente" em favor das famílias acampadas na sede do Incra.

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