Recife, 16 (AE) - O promotor de Escada, na zona da mata pernambucana, Marcelus Ugiette, e dois oficiais de Justiça foram recebidos, hoje, pelos mil sem-terra que ocupam desde domingo a Destilaria Liberdade, naquele município, com foices, facões e paus e aos gritos de "isso aqui agora é nosso". Acompanhado do comandante do 10º. Batalhão da Polícia Militar, major Reginaldo Oliveira, o promotor pretendia entregar o mandado de reintegração de posse da empresa. Eles pediram para falar com algum líder do movimento, mas não foram atendidos e, quando tentaram entrar na sede da destilaria, foram acompanhados pelos trabalhadores armados que diziam "cerca, cerca", insinuando que não os deixariam sair.
Do carro de som, de acordo com o major Reginaldo, os sem-terra, sob o comando do Movimento dos Trabakhadores Rurais Sem-Terra (MST), destratavam a Justiça, a polícia e o governo. O juiz de Escada, Cláudio Américo de Miranda Júnior, que concedeu liminar à ação de reintegração de posse impetrada pelo arrendatário da destilaria, Manuel Costa, foi acusado de corrupção e de se aliar aos usineiros.
O major disse que a intenção era informar oficialmente os sem-terra do mandado e tentar lhes dar algum tempo para organizar uma saída pacífica do local. Sem condições de diálogo e diante da animosidade demonstrada pelos trabalhadores, o promotor decidiu ir embora.
O secretário estadual de Defesa Social, general Adalberto Bueno, garantiu que a reintegração será feita. "A lei será cumprida", disse. "Estamos definindo o momento adequado". Ele frisou ser interesse do governo e também da Justiça que os sem-terra sejam retirados do parque industrial da destilaria de álcool sem confronto e sem violência. Mas não confirmou se a reintegração ocorrerá depois que parte dos invasores deixar a destilaria, domingo, em marcha até o Recife, onde na terça-feira participam de ato contra a política do governo.

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