Sem-terra querem audiência com vice-governadora
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 10 (AE) - Os sem-terra acampados na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, em Curitiba, aguardam para amanhã (11) uma audiência com a governadora em exercício, Emília Belinati (PTB). Eles pretendem entregar uma pauta com reivindicações que vão desde o fim da violência até verbas e infra-estrutura para educação e saúde. "Vamos entregar a pauta de reivindicações e dar um prazo para sentarmos e o governo apresentar soluções concretas", disse o líder regional do Movimento dos Sem-Terra (MST) Rogério Mauro.
A liderança do movimento espera para amanhã (11) a chegada a Curitiba dos seis sem-terra que tinham sido presos durante a desocupação da Fazenda Santa Maria, em Ortigueira, no centro do Estado. Eles foram liberados hoje com o deferimento de um pedido de habeas corpus pelo Tribunal de Justiça. Os sem-terra devem fazer um depoimento no Ministério Público.
Eles acusam policiais de terem feito Valdecir Bordignon comer esterco de gado. No Estado, ainda continuam presos 29 sem-terra. As chuvas e o forte vento da noite de ontem (09) causaram transtorno no acampamento. Algumas lonas foram arrancadas e outras rasgadas, molhando os pertences dos sem-terra. Um dos que vieram em marcha a Curitiba precisou ser internado ontem no Hospital Erasmo de Rotterdam, com sintomas de pneumonia. Ele foi atendido e liberado hoje. A liderança do movimento está fazendo um cadastramento para saber o número correto de pessoas que estão em Curitiba.
A prefeitura tinha preparado o Parque dos Tropeiros, que fica retirado do centro da cidade, para acomodar os sem-terra. Mas eles insistiram em ficar no Centro Cívico, entre os prédios dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além da prefeitura. Para dar mais conforto aos sem-terra, a prefeitura instalou banheiros e torneiras.
Em entrevista concedia ontem, em Washington (EUA), onde participava de um seminário, o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), disse que não tinha conhecimento antecipado sobre o pedido de grampo dos telefones do MST, feito pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. Lerner engrossou o coro dos sem-terra e também pediu verbas federais para o processo de reforma agrária no Estado. "Um assentamento não é feito só com terra, mas também exige infra-estrutura, exige recursos", disse.
De acordo com o chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda, o convênio de descentralização da reforma agrária, assinado no mês passado, prevê uma contrapartida do governo do Estado, de 25% do total de recursos que serão alocados pelo governo federal. O repasse do governo federal, no entanto, sofreu atraso em todo o País.
Dos R$ 99,9 milhões do Programa Especial de Crédito de Reforma Agrária (Procera), foram liberados apenas R$ 7 milhões. O Paraná ainda espera cerca de R$ 9 milhões, que estão previstos no convênio de descentralização da reforma agrária, além dos recursos programados para aquisição de terras.


