Sem-terra querem audiência com Emília
Giovani Ferreira
Os líderes dos trabalhadores rurais vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, pediram ontem uma audiência com a governadora em exercício, Emília Belinati. Eles garantem que manterão a posição inicial de esperar a volta, no dia 16, do governador Jaime Lerner - em viagem ao exterior -, mas entendem que podem dar início às negociações com a governadora.
O gabinete de Emília Belinati confirmou a solicitação do MST, mas ainda não incluiu uma audiência com os líderes do movimento na agenda da governadora em exercício. Roberto Baggio, um dos líderes do MST no Estado, espera que os representantes do grupo de manifestantes sejam recebidos ainda hoje no Palácio Iguaçu.
Apesar de não ter agendado um horário para receber os sem-terra, Emília Belinati vem afirmando, desde o início da semana, a sua disposição em conversar com os líderes do movimento. De acordo com a governadora, o governo está aberto a discussões, no sentido de ouvir o MST, sem nenhuma intenção de reprimir as manifestações do movimento.
Ontem, os aproximadamente dois mil sem-terra (conforme números repassados pela coordenação do MST) que estão em frente ao Palácio Iguaçu desde terça-feira aproveitaram para organizar o acampamento. Os sem-terra passaram o dia lavando roupas, distribuindo alimentos, cobertores e construindo novas barracas. Uma das principais preocupações dos manifestantes é a de se proteger do frio. As barracas foram erguidas como se estivessem sendo estruturadas em uma área de ocupação.
ProtestoAproveitando a oportunidade da manifestação dos sem-terra, um grupo do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) fez ontem um protesto na Delegacia Regional do Ministério da Agricultura. Cerca de 60 pessoas permaneceram por mais de quatro horas na sede do Ministério, em Curitiba, protestando contra a falta de atenção do governo federal com os pequenos produtores. Recebidos pelo delegado Mário Bezerra Guimarães, os integrantes do MPA denunciaram a falta de crédito para o atendimento das pequenas propriedades, situação que estaria comprometendo o desempenho do setor.
Reforma AgráriaO governador Jaime Lerner disse ontem, em Washington, que o Paraná precisa de mais recursos para agilizar o processo de reforma agrária. De acordo com Lerner, um assentamento não é feito só com terra. O assentamento exige infra-estrutura, exige recursos. Pelo convênio de descentralização da reforma agrária, o Paraná espera R$ 9 milhões do governo federal. Essa verba faz parte do Programa Especial de Crédito da Reforma Agrária (Procera).Movimento reafirma intenção de permanecer em frente ao Palácio até a volta de Lerner, mas pretende iniciar negociações com a vice-governadora
Mauro FrassonRotinaSem-terra acampados em frente ao Palácio se ocuparam ontem da montagem de barracas para se proteger do frio





