Anhembi (SP), 24 (AE) - O Movimento dos Sem-Terra (MST), que concluiu na manhã de hoje a transferência de 1,2 mil famílias para a área urbana de Anhembi (a 325 quilômetros de São Paulo), apresentou ao prefeito Geraldo Conceição Cunha (PSDB) a proposta de participar da tomada de decisões que envolvam o grupo na cidade.
O coordenador estadual do movimento e líder do acampamento "Nova Canudos", João Paulo Rodrigues, pediu uma reunião com as autoridades e entidades locais. "Queremos esclarecer porque estamos aqui e saber de que forma podemos contribuir para resolver os problemas que surgirão com a chegada do nosso pessoal", disse.
As lideranças querem discutir tudo o que envolva o destino dos sem-terra. Rodrigues esteve com o prefeito e obteve autorização para uso dos vestiários do estádio local pelas famílias. O prefeito foi convidado a participar da reunião que os líderes terão, quarta-feira, com a presidente do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), Tânia Andrade.
O MST quer que o Itesp aponte onde estão os cerca de 3,6 mil hectares de áreas devolutas existentes na região e que poderão servir para o assentamento das famílias. "Acho que o prefeito também está interessado em que o grupo vá para um assentamento o mais rápido possível", disse Rodrigues.
Segundo ele, a permanência na área urbana não é o objetivo dos sem-terra. "Mas, enquanto ficarmos, esperamos apoio e colaboração." O líder sugeriu que pode usar politicamente o grupo para atingir seus objetivos. "São quase mil votos, o suficiente para a gente eleger um prefeito aqui, mas esse não é o nosso objetivo."
O prefeito confirmou o contato com o líder do MST, mas lembrou que a cidade tem pouco a oferecer. "Nossos recursos são limitadíssimos e mal dão para atender a população daqui." Ele acha que o governo do estado deve tomar a frente das negociações com os sem-terra. "Vou pedir isso ao governador Mário Covas, segunda-feira."
A audiência será realizada à tarde no Palácio dos Bandeirantes. O prefeito vai reunir-se também com sua assessoria jurídica para decidir se decreta estado de emergência na cidade. "De uma hora para outra, a população urbana aumentou mais de 30% e pode haver um colapso na saúde e no saneamento", disse.

mockup