Sem-terra protestam em pedágio
Cerca de 500 pessoas tomaram ontem, durante duas horas e 45 minutos, a praça de pedágio da BR-277 localizada no município de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). A manifestação - contra os governos federal e estadual - foi liderada por sem-terra de acampamentos do Extremo-Oeste do Estado. Mas contou também com a participação de sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Entre as 9h30 e as 11h45, os manifestantes ordenaram a abertura das cancelas e impediram a cobrança de pedágio na local. Segundo Alexandre Marinho Teixeira, gerente de operações da empresa Rodovia das Cataratas S/A cerca de mil veículos não pagaram a tarifa. A empresa deixou de arrecadar, no mínimo, R$ 1,4 mil.
Quando os manifestantes chegaram, a direção da empresa orientou os cinco operadores de caixa que trabalhavam naquele momento a abandonar as cabines. Não houve incidentes ou depredações. Desde a inauguração da praça de pedágio, em 30 de junho do ano passado, esse foi o segundo protesto liderado por sem-terra com a liberação de pedágio. O outro ocorreu em outubro, durante a Romaria da Terra.
Pedro Claudir, um dos coordenadores do MST na região, disse que a manifestação foi contra as políticas econômica, social e fundiária dos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Jaime Lerner (PFL), que só beneficiam as multinacionais e os banqueiros. A maioria dos participantes são sem-terra que ocupam a Fazenda Mitacoré, cuja sede fica a cerca de um quilômetro da praça de pedágio.
Nas praças de pedágio, os motoristas ficaram livres do pagamento.
Cascavel O Consórcio Rodovia das Cataratas, que detém a concessão da BR-277 entre Foz do Iguaçu e Guarapuava, informou que três das cinco praças existentes no trecho foram ocupadas pelos manifestantes, por volta das 9 horas. Na região de Cascavel, a ocupação deveria prosseguir até o final da tarde. A empresa determinou aos seus funcionários que deixassem os guichês, imediatamente ao chegarem os manifestantes. A Polícia Rodoviária Federal fez vigilância à distância, e tudo foi pacífico, disse o inspetor Vicente Bereza.
Motoristas geralmente aplaudiam, por solidariedade às causas defendidas pelos manifestantes, mas a maioria pela desobrigatoriedade de pagar o pedágio. Segundo coordenadores do MST, o ato foi para chamar atenção para deficiências nos serviços de saúde, educação e habitação, e falta de financiamento à produção agrícola.Edson MazzettoMovimento dos sem-terra nos pedágios reivindica recursos para produção, saúde, educação e habitaçãoValmir Denardin





