Recife, 30 (AE) - Trabalhadores sem-terra montaram acampamento hoje na frente do fórum de São Bento do Una, no agreste, a 217 quilômetros do Recife. O protesto é pela prisão de cinco trabalhadores rurais, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, que estão há quase seis meses na cadeia pública local, acusados do roubo de oito bodes durante uma invasão de terra.
O movimento prevê vigília e atos de repúdio, além do engajamento de entidades nacionais e internacionais, partidos políticos e igreja, através de envio de mensagens de protesto pela prisão e pedido de liberação dos sem-terra ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, ao presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Etério Galvão, e ao juiz de São Bento do Una, Gilvan Macedo dos Santos.
O MST impetrou habeas-corpus, por excesso de prazo, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O movimento, alegando falta de condições éticas e morais devido "ao ódio pessoal contra o MST", também pretende pedir o afastamento do juiz Gilvan Macedo dos Santos do caso . O juiz manteve presos, por 123 dias, no ano passado, dois dirigentes do MST-PE, por participação em um saque.
De acordo com o advogado do MST-PE, Marcelo Santa Cruz, a prisão dos cinco sem-terra é ilegal porque eles roubaram os animais para matar a fome das 70 famílias que ocuparam uma fazenda em março e também por excesso de prazo, pois segundo o Código Penal ninguém pode ser mantid preso, à espera de julgamento, por mais de 81 dias.

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