Sem-terra prometem resistir a despejo no MS; situação é tensa
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por João Naves de Oliveira, especial para a AE 
Campo Grande, 20 (AE) - Os cerca de 2 mil sem-terra acampados na Fazenda Vitória, no município de Ivinhema, região sul de Mato Grosso de Sul e a 330 quilômetros de Campo Grande, prometem resistir, com foices e facões, a ordem de despejo da área. Os acampados abriram trincheiras e estão juntando pedras. Para impedir a entrada da polícia no local, queimaram as duas pontes de madeira que dão acesso a fazenda.
Duzentos policiais militares estão encarregados da desocupação da propriedade. Os manifestantes tem apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). De acordo com os coordenadores do movimento, os sem-terra só vão deixar o local após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) liberar uma área para que eles possam ser assentados.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Franklin Mashua, o despejo será realizado até amanhã (21), se possível pacificamente. No entanto, os invasores afirmam que, caso não sejam assentados, só deixarão a fazenda "depois de muita luta". A coordenação estadual do MST admite que a situação no local é tensa. Bloqueio - O MST também está coordenando um bloqueio na Rodovia BR-163, no município de Naviraí, extremo sul do Estado. O movimento começou ontem e prosseguiu hoje. No período da manhã os congestionamentos chegaram a quatro quilômetros em cada pista. A Polícia Rodoviária Federal está desviando o trânsito por um atalho que aumenta o percurso em 130 quilômetros.
Os sem-terra protestam contra a morosidade da reforma agrária no Estado. Também reclamam da falta de alimentos e prometem saquear caminhões que transportam gêneros alimentícios caso não recebam cestas básicas da programa Comunidade Solidária até amanhã. Além disso, querem atendimento médico e escolas para as crianças em idade escolar.


