Sem-terra prometem não sair da Água da Prata
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Marta MedeirosEquipe da Folha 
Maringá - Agricultores sem-terra afirmam que não vão sair da Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, noroeste do Estado, onde em novembro de 2000 jagunços mataram um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Sebastião da Maia. A posição dos agricultores foi repassada anteontem para o ouvidor agrário nacional Gercino José da Silva Filho. Cerca de mil famílias vivem no local.
O impasse envolvendo a Água da Prata vem desde de junho de 1997 quando a propriedade de 460 alqueires foi invadida pela primeira vez. Em maio de 1999, a fazenda foi desocupada e um mês depois os sem-terra voltaram para o local. Em novembro de 2000, a polícia promoveu uma reintegração de posse e dias depois os sem-terra retornaram para a fazenda. Nesse retorno, ocorreu a morte de Sebastião de Maia. Na ocasião, os jagunços acusados pelo assassinato foram presos.
Atualmente, os agricultores estão acampados nas margens da propriedade e utilizam a área para o plantio de algumas culturas.
Na reunião de anteontem, um representante do proprietário Wilson Ferreira disse para o ouvidor que os donos não aceitam mais o valor oferecido pelo Incra, cerca de R$ 7 mil o alqueire. O representante afirmou que um dos motivos para o fim do acordo se refere ao fato de que o órgão não adiantou o pagamento de 30% do valor da venda. O ouvidor explicou que não existe lei para amparar esse tipo de negócio entre o Incra e os proprietários.
Segundo os sem-terra, a fazenda já é considerada um assentamento denominado por eles de Assentamento Sebastião da Maia. Para nós, o assentamento faz parte da justiça que buscamos pela morte do Sebastião, disse um dos coordenadores do MST, Roberto Baggio. O ouvidor Gercino Filho disse aos agricultores que enquanto não houver uma manifestação do Incra, os sem-terra não podem voltar a ocupar a área. Por favor, não invadam porque se isso ocorrer a área ficará por mais dois anos sem vistoria e portanto sem uma solução para o caso, disse o ouvidor para os sem-terra.
O superintendente do Incra, José Carlos de Araújo Vieira afirmou que até o final desta semana o laudo de vistoria será concluído. Vieira disse que o processo para transformar o local em assentamento não é fácil porque uma lei determina, entre outras questões, uma distância de no mínimo 150 quilômetros da fronteira. Querência do Norte está a menos de 40 quilômetros do Mato Grosso do Sul.


