Sem-terra presos por saque estão em greve de fome
Sem-terra presos
por saque estão
em greve de fome
Agência Estado
Presos há uma semana no Presídio Aníbal Bruno, por terem participado de um saque a supermercado em Aliança, a 81 quilômetros do Recife, os sem-terra Luiz Lucas da Silva, 49 anos, e Ismael Cícero da Silva, 38, se recusam a comer.
Eu não posso comer quando minha família passa fome, afirma Luiz Lucas. E também não sou assaltante que mereça estar na prisão. Indiciados por roubo qualificado, eles aguardam para hoje a concessão de um habeas-corpus impetrado logo depois da sua prisão pelo advogado e presidente de uma entidade de defesa dos direitos humanos, Marcelo Santa Cruz.
Luiz Lucas garante só ter pegado comida durante o saque e, mesmo assim, porque pensava em matar a fome dos filhos. Abatido, ele conta ter torcido o pé durante o saque - comandado pelo MST e realizado no dia 5 - e diz que até agora não teve tratamento no presídio. Os dois vivem no acampamento do Engenho Camarazal, em Nazaré da Mata, próximo de Aliança.
Inquérito A Polícia Federal instaurou ontem três inquéritos e, por ordem do ministro da Justiça, Renan Calheiros, pedirá à Justiça prisão temporária de nove integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) - acusados de incitar e participar de saques. Entre os líderes citados estão João Pedro Stédile e Jaime Amorim. O Ministério da Justiça determinou ainda prioridade para a conclusão de um quarto inquérito, de outubro do ano passado, que apura responsabilidades da invasão de um prédio do Incra, por militantes do MST, entre eles Jaime Amorim.
A preocupação é não permitir que a desordem se alastre pelo País, disse ontem o ministro da Justiça, Renan Calheiros, ao anunciar a abertura dos inquéritos. Setores da igreja e do poder judiciário não serão incluídas nas investigações da PF, segundo Calheiros, porque, segundo argumenta ele, a defesa de saques nestes casos ocorreu por questões humanitárias.





