Sem-terra presos em PE estão em condições subumanas, denuncia presidente da CPT
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 02 (AE) - O presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduíno, denunciou hoje as condições subumanas a que estão submetidos cinco sem-terra, presos há quatro meses na cadeia pública de São Bento do Una, a 217 quilômetros do Recife. Os sem-terra são acusados de roubar oito bodes da propriedade que ocupavam para alimentar os acampados. Em visita ao presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJP), Etério Galvão, d. Balduíno pediu agilidade no julgamento do habeas-corpus impetrado em favor dos sem-terra.
D. Balduíno disse que os cinco trabalhadores dividem uma cela com outras três pessoas e, por falta dágua, tomam apenas um banho por semana. Eles reclamam do cheiro insuportável da latrina. A sujeira é tal que os guardas permitem que eles comam fora da cela. O presidente da CPT afirmou ainda que todos dormem no chão.
O presidente do TJ disse que o corregedor de prisões do Estado vai a São Bento do Una fazer uma inspeção. O julgamento do habeas-corpus, que deveria ter ocorrido hoje, foi adiado para quarta-feira. O pedido será apreciado pela Câmara de Férias do Tribunal, formada por três desembargadores.
Ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Caetano da Silva, José Francisco da Silva, Brasiliano Silva Brito, Fabiano Alves de Jesus e Cícero de Melo Rocha ocuparam, com outras 65 famílias, a Fazenda Santa Rita, em São Bento do Una, em março de 98. Foram despejados, mas reocuparam a propriedade. No dia 4 de março deste ano eles roubaram oito bodes da fazenda para alimentar as famílias do acampamento.
A Polícia foi ao local e prendeu os cinco, são acusados de roubo e formação de quadrilha. O advogado dos sem-terra, Marcelo Santa Cruz, afirma que a prisão dos trabalhadores é ilegal porque os animais foram furtados para saciar a fome. Além disso, todos são réus primários e que em um ano de ocupação não ocorreu nenhum outro furto. No pedido de habeas-corpus ele também alega que a prisão é ilegal."Eles deveriam ser julgados no máximo em 81 dias", afirmou.


