Arquivo FolhaUm dos inúmeros acampamentos de sem-terra espalhados no País
Observados por seguranças e fazendeiros ligados à União Democrática Ruralista (UDR), cerca de 20 trabalhadores que integram o ‘‘Movimento Brasileiros Unidos Querendo Terra’’ começaram ontem a montar barracos em uma área da Fepasa, em frente à Fazenda Santa Sofia, em Presidente Venceslau, que reivindicam para a instalação de um projeto de assentamento.
A movimentação dos sem-terra começou na madrugada de sábado, quando cerca de 80 pessoas foram impedidas pelos seguranças e fazendeiros de invadir a propriedade. Os sem-terra passaram todo o dia em frente da fazenda e só debandaram à noite. Ontem, por volta das 9 horas, cerca de 20 pessoas retornaram ao local, iniciando a instalação do acampamento.
Segundo informações do Batalhão da Polícia Militar daquela cidade, o grupo é liderado pelo presidente da associação, Geraldo Lopes de Oliveira, que não tem vínculos com o Movimento dos Sem-Terra (MST) e que distribuiu carta convocando à população local a participar da invasão. No documento, ele afirma que a fazenda faz parte das áreas declaradas devolutas no Pontal do Paranapanema e pede que ela seja reivindicada judicialmente para o assentamento de 140 famílias.
De acordo com a Polícia Militar, seis seguranças e seis fazendeiros, além dos familiares da proprietária, Olga Elis (já falecida), passaram a noite montando guarda nos limites da fazenda para evitar qualquer tentativa de invasão.
A PM disse não haver indícios da existência de armas de fogo entre fazendeiros e sem-terra, mas o ex-presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos, que se afastou da entidade para disputar uma vaga na Câmara Federal pelo PTB, esteve no local e garantiu que a fazenda possui esquema armado de segurança. ‘‘Se houver qualquer tentativa de invasão, os proprietários reagirão’’, disse.
Santos voltou a defender a proteção armada das propriedades rurais ameaçadas pelos sem-terra ‘‘dentro dos limites legais’’ e lembrou que a Fazenda Santa Sofia, com 515 alqueires, é uma das mais tradicionais de Presidente Venceslau. ‘‘Além de altamente produtiva, responsável pela introdução do gado de seleção e cavalos de raça no município, a fazenda faz parte da história local por ter sido uma das principais produtoras de café da região, mantendo até hoje toda estrutura de colheita do produto’’, afirmou.
O ex-presidente da UDR criticou ainda o governo estadual pelo que considera ‘‘omissão’’ diante da ocupação de áreas públicas. ‘‘No caso da Santa Sofia, os invasores estão se instalando em terras da Fepasa e compete à direção da ferrovia exigir a retirada das famílias.’’
Segundo Santos, o caso é idêntico ao das invasões de prédios públicos, quando as autoridades responsáveis acionam rapidamente o Judiciário para forçar a desocupação. ‘‘Infelizmente, em São Paulo, os invasores usam as áreas públicas, pois sabem que o governo estadual nada fará para impedi-los’’, disse.

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