O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), inicia na próxima terça-feira uma marcha de Ponta Grossa até Curitiba, onde será montado um acampamento em frente ao Palácio Iguaçu. A marcha foi anunciada ontem em Maringá por um dos líderes do MST no Paraná, Gilmar Mauro. Ele está na região acompanhando os despejos, e disse que o acampamento em frente ao Palácio será por tempo indeterminado. ‘‘Queremos pressionar o governo a mudar a política com os sem-terra, a liberdade dos coordenadores presos, a abertura de negociação para assentar as famílias acampadas e crédito’’, afirmou Mauro.
São 35 sem-terra presos na região Noroeste, outros seis em Ponta Grossa e mais de 80 áreas com pelo menos 8 mil famílias que aguardam a desapropriação. A marcha começa em Ponta Grossa com pelo menos 500 sem-terra, chega em Curitiba no dia 8 de junho com 3 mil ou mais pessoas de todo Estado e monta o acampamento para 1,5 mil integrantes do movimento. ‘‘Vamos ainda realizar manifestações em protesto contra a política fundiária do Paraná por todo o País’’, avisou. Ontem, ele disse que 3 mil sem-terra de São Paulo fecharam a rodovia Castelo Branco, perto do município de Porto Feliz.
Gilmar Mauro adiantou também que todos os sem-terra que foram despejados nas últimas semanas de áreas do Noroeste, vão acampar em uma área do MST em Querência do Norte (113 quilômetros ao norte de Paranavaí). A intenção é reunir o máximo das cerca de 500 famílias despejadas de áreas da região em um acampamento ‘‘provisório’’, para retomar as ocupações. ‘‘Queremos o fim das agressões contra os sem-terra’’, avisou. Ele chamou a operação desencadeada pelo governo do Paraná de ‘‘pau e circo’’, porque bate nos sem-terra e diz mentiras para a imprensa.
O MST, segundo Mauro, vai entrar com processo contra a Polícia Militar por agressão aos acampados que foram desalojados. ‘‘Bateram em um companheiro de 84 anos e alegaram que ele sofreu um acidente de carroça’’, revela. Todos os casos de agressão estão sendo periciados e vão formar um dossiê, a ser encaminhado a entidades internacionais de defesa dos direitos humanos. ‘‘Estamos conclamando os deputados de oposição e movimentos sociais para conhecerem a realidade da operação na região’’, avisou. ‘‘Hoje não existe repressão nesse porte em todo o país contra os sem-terra’’, lamentou.
Acusados Quatro sem-terra acusados de terem assassinado a tiros, no dia 12 de maio, o sem-terra Josuel Trindade de Jesus, 21 anos, no centro de Arapuã (160 km ao sul de Apucarana), se apresentaram ontem de manhã na delegacia de Ivaiporã, acompanhados de seus advogados. Guimarins de Oliveira, o ‘‘Tio Guima’’, 46 anos, Adão Prochnow, 35 anos, João Carlos Mendes, o ‘‘Carlão’’, 24 anos e Alemir Lemes Trindade, conhecido como ‘‘Porvinha’’, 19 anos, assumiram a autoria do crime, mas se reservaram a prestar esclarecimento em juízo.
Na noite do dia 12, Josuel Trindade de Jesus foi assassinado com dois tiros em frente à Igreja Matriz de Arapuã por um grupo de pelo menos 10 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acampados na Fazenda Corumbataí, conhecida por ‘‘7 Mil’’. O grupo de sem-terra ficou de tocaia e deu vários tiros contra Josuel, o irmão dele, Nilson Trindade e o primo Nelson Costa. Os dois últimos nada sofreram.
De acordo com testemunhas e familiares da vítima, o motivo do crime era uma dívida que Josuel tentava receber dos líderes do acampamento, por ter sido expulso da fazenda e ter perdido animais e lavouras.

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