O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai desencadear, a partir de outubro, uma série de ocupações de propriedades rurais em todo o País, com a mobilização de mais de 60 mil trabalhadores. A nova estratégia do MST foi divulgada ontem, em Teodoro Sampaio (SP), por Gilmar Mauro, um dos principais líderes do movimento, que antecipou a intenção de reduzir o ritmo no Pontal do Paranapanema, sem, no entanto, descartar a possibilidade de novas ocupações. Em Primavera, a Polícia Militar garantiu a abertura e funcionamento normal do agência local do Banespa, apesar da presença dos sem-terra que insistem na recomposição de dívidas agrícolas.
Segundo Gilmar Mauro, o MST ‘‘chegou ao limite’’ em sua possibilidade de aguardar soluções concretas do governo para o encaminhamento da reforma agrária. ‘‘Apesar dos discursos e projetos, não há avanços nos processos de assentamento no País’’, disse. O dirigente salientou que a direção do movimento decidiu aguardar o mês de outubro porque até lá sua prioridade é apoiar o ‘‘grito dos excluídos’’, manifestação programada para o dia 7 de setembro em Aparecida, e o segundo julgamento de José Rainha Júnior, marcado para o dia 16 em Pedro Canário, no Espírito Santo.
Segundo Gilmar Mauro, ‘‘a partir de agora o controle da situação está nas mãos do governo’’. Ele explicou que o MST deu trégua de seis meses para que os assentamentos fossem iniciados. ‘‘Ficamos fazendo o papel de pelegos enquanto o governo fazia discursos’’, disse. ‘‘Nosso diálogo hoje é a ação concreta e só neste sentido estamos dispostos a ouvir o governo’’.

mockup