Sem-terra planejam marcha a São Paulo
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segunda-feira, 21 de abril de 1997
Agência Folha de São Paulo e Rio 
Joedison Alves/Agência Estado
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DisposiçãoO líder do MST, José Rainha Júnior (d), cumprimenta o governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, durante a marcha dos sem-terra na Esplanada dos Ministérios, na última quinta-feira em BrasíliaOs sem-terra do Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo) devem fazer, no início de julho, uma marcha até a capital paulista. O anúncio foi feito ontem pelo líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Jr.. A marcha, nos moldes da que chegou a Brasília na semana passada, deve chegar a São Paulo no dia 25 de julho, quando os sem-terra comemoram o Dia do Lavrador. Um ato no Vale do Anhangabaú (zona central) encerrará a manifestação.
Desta vez, serão convidadas entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para participar desde o início. Rainha disse ter mantido contato com o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, e com dom Demétrio Valentini, bispo responsável pela pastoral social da CNBB, para discutir o tema.
A marcha deve sair de Teodoro Sampaio (710 quilômetros a oeste de São Paulo), com cerca de 3.000 pessoas, entre acampados e assentados. Três dias depois de participar de audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, Rainha passou o dia ontem plantando feijão no assentamento Santa Clara, em Mirante do Paranapanema (640 quilômetros a oeste de São Paulo).
Ele disse que o MST vai retomar a política de invasões, diante da falta de perspectiva de agilidade do governo. O presidente Fernando Henrique nos propôs a criação de um fórum. Para quê, se já existe um ministério específico? Enquanto ele pensa em fórum, nós vamos agir por fora, afirmou o dirigente.
Segundo Rainha, não há data para retomada das invasões, mas elas já estariam sendo organizadas. Estamos fazendo trabalho de base em 20 cidades do Pontal.
Cobrança - Os deputados estaduais e federais do Rio de Janeiro que se elegeram com apoio financeiro e político de produtores rurais serão chamados pelos fazendeiros a retribuir o apoio. Os fazendeiros querem que os deputados se posicionem publicamente contra a ofensiva do MST no norte fluminense. Chegou a hora de sabermos se eles, de fato, são nossos representantes. Queremos que eles apareçam e se exponham perante a opinião pública, afirmou Rodolfo Tavares, presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio.
Na madrugada do último dia 12, cerca de 400 sem-terra invadiram os canaviais da Usina São João, no município de Campos (a 279 quilômetros ao norte do Rio). A usina está fechada desde junho do ano passado. O prefeito de Campos, Anthony Garotinho (PDT), e o governador Marcello Alencar (PSDB) apoiaram a ocupação. Além de alimentos, remédios e água potável, a Prefeitura de Campos cedeu um trator para a derrubada dos canaviais.
Dos 70 deputados estaduais do Rio, apenas 20 foram eleitos na capital. O Estado tem 46 deputados federais. Tavares disse que, por questão estratégica, não revelaria o número dos que receberam ajuda dos fazendeiros.


