Sem-terra pedem cestas básicas
Sid Sauer
De Campo Mourão
As 25 famílias de trabalhadores rurais sem-terra que estão acampadas desde a semana passada na Fazenda Paraíso, no distrito de Paraíso do Sul, em Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão) estão pedindo cestas básicas à prefeitura. Eles alegam que não têm o que comer e que falta até água na propriedade ocupada, que estava abandonada. A prefeita Elza Marques Gonçalves (PFL) disse ontem, à Folha, que não tem como fazer a doação de cestas básicas.
Eles estão passando necessidades, mas a prefeitura não tem dinheiro para mais essa despesa, diz a prefeita. A propriedade, que estava em poder do Banco Central e que foi repassada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para fins de assentamento, tem 580 hectares. Não vou virar as costas para o problema, mas não posso dar comida, frisa Elza. Já temos os problemas de Barbosa para resolver.
A prefeita diz que o município, que faz parte do programa Comunidade Solidária, está há quatro meses sem receber as 2.508 cestas básicas que eram repassadas mensalmente pelo governo federal. Os cerca de 100 sem-terra vieram de Laranjeiras do Sul. Na semana passada, a prefeita levou o problema ao Incra, em Curitiba. Eles ficaram de vir fazer o cadastramento das famílias, mas até agora (ontem) não apareceram.
Elza havia sido procurada pelo Incra em agosto para desenvolver um projeto visando a ocupação da Fazenda Paraíso. Montamos um projeto para abrigar 15 famílias do município, mas fomos surpreendidos com a invasão, relata a prefeita. A Polícia Militar de Campo Mourão chegou a segurar os sem-terra na BR-487, em Iretama, mas liberou o grupo depois de ser informada pelo Incra que a área pretendida estava em desapropriação.
Elza se queixa que a prefeitura já é obrigada a manter dois ônibus somente para transportar bóias-frias de Barbosa Ferraz que trabalham em municípios vizinhos. Hoje, pelo menos 800 bóias-frias de Barbosa trabalham no corte de cana-de-açúcar em Engenheiro Beltrão, São Pedro do Ivaí e Fênix, ressalta a prefeita. A prefeitura tem que ajudar com o transporte para que eles não fiquem desempregados.





