Foz do Iguaçu, PR, 11 (AE) - O clima voltou a ficar tenso entre imigrantes brasileiros e paraguaios na cidade de San Alberto, colônia brasileira localizada a 90 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Hoje de madrugada, um grupo de sem-terra paraguaios bloqueou os acessos à cidade e interditou o prédio da prefeitura. A manifestação acontece uma semana depois que a Polícia Nacional do Paraguai teve de interferir, por ordem da Justiça, para acabar com o protesto que durante 21 dias manteve a cidade parcialmente sitiada.
O alvo dos protestos é o prefeito de San Alberto, o brasileiro Romildo Antônio de Souza Maia, 36 anos, que pela segunda vez é deposto do cargo à revelia, sob acusação de malversação do dinheiro público. Os dois protestos foram organizados por adversários políticos de Maia e líderes locais do movimento sem-terra. Cinco dos nove vereadores querem a deposição do prefeito e já pediram uma intervenção federal no município, que pode ser julgado pelo Congresso paraguaio ainda esta semana.
O comando da Polícia Nacional no Departamento de Alto Paraná informou hoje que só vai providenciar o desbloqueio da cidade com uma nova ordem judicial. No primeiro protesto, a ordem de despejo dos manifestantes, expedida pelo juiz criminal Hugo Zueli Martinez, demorou quatro dias para ser cumprida. Martinez havia autorizado o uso de força policial para desobstruir o prédio da prefeitura. A desocupação, no entanto, ocorreu pacificamente.
Maia alega que a denúncia de corrupção contra ele é apenas um pretexto para intimidar os imigrantes e descendentes de brasileiros, que representam mais de 80% dos 23,5 mil habitantes de San Alberto. A cidade está localizada numa região onde há mais de três meses grupos armados de sem-terra invadiram pelo menos 30 pequenas propriedades e expulsaram os agricultores brasileiros. Os imigrantes são os principais produtores de soja, milho e trigo da região. Com apoio do governo paraguaio, esta semana eles começaram a voltar às suas terras.

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