Campo Grande, 27 (AE) - Os sem-terra estão utilizando uma nova tática para protestar contra a morosidade da reforma agrária no Mato Grosso do Sul. Enquanto um efetivo de cerca de 800 policiais militares segue pelo interior do Estado despejando famílias de fazendas invadidas, outras propriedades rurais vão sendo ocupadas pelos trabalhadores rurais. De sábado até a madrugada de hoje foram ocupadas três fazendas.
Em Sidrolândia, região sudeste do MS e a 64 quilômetros de Campo Grande, foram invadidas as fazendas Belém, com 6 mil hectares; e Capão Bonito, com 7 mil hectares. Em Mundo Novo, na divisa com o Estado do Paraná, os sem-terra ocuparam a Fazenda Mambaré, de 2 mil hectares. No mesmo período, a PM, que tem ordem para desocupar seis propriedades rurais, só conseguiu despejar os invasores de apenas um imóvel, a Fazenda Austrália, em Deodápolis no Sul.
Ontem pela manhã, depois de quatro meses de invasão, as cerca de 140 famílias que ocupavam o terreno, saíram da propriedade. O Movimento Nacional de Produtores Rurais, porém, protestou contra a formação de um acampamento em frente da fazenda. Segundo o coordenador da entidade, Renato Merem, com o acampamento é como se não tivesse ocorrido o despejo. Os Movimento de Produtores, disse, está custeando, com verba própria, o transporte de famílias que queiram deixar as áreas ocupadas. A intenção dos produtores, conforme disse, é evitar a formação de novos acampamentos nas proximidades das fazendas desocupados por força policial.

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