Marília, SP, 21 (AE) - Cerca de l.200 acampados e assentados invadiram hoje pela manhã os sete escritórios do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), órgão ligado à Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado, no Pontal do Paranapanema. Ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) , eles protestam contra a política estadual de reforma agrária para a região e afirmam que a ocupação é por tempo indeterminado.
Os invasores exigem o assentamento de 400 famílias, melhoria na política de atendimento aos assentados e cumprimento de promessa que teria sido feita pelo governador Mário Covas, de liberar créditos de investimentos para os sem-terra. Foram ocupados os escritórios de Presidente Prudente, Presidente Bernardes, Presidente Venceslau, Mirante do Paranapanema, Teodoro Sampaio, Euclides da Cunha e Primavera. A informação foi confirmada pelo responsável pelo Itesp de Prudente, Elzio Branco.
O Itesp de São Paulo, anunciou que divulgaria nota oficial, mas até as l6h50 isto não havia acontecido.
Segundo Cledson Mendes, da direção estadual do MST, que comandou a ocupação em Presidente Prudente, a ação foi consequência do descontentamento no Pontal do Paranapanema. O Itesp, afirmou, não consegue colocar infra-estrutura nos assentamentos já instalados e há mais de um ano deixou de arrecadar terras para resolver o problema das famílias que continuam acampadas.
Mendes disse que grande parte das seis mil famílias que receberam lotes vive em situação precária. Moram em barracos de lona, não têm estradas e os poços perfurados não podem funcionar por falta de energia elétrica. O líder critica a assistência técnica do Estado, lembrando que não são feitas curvas de nível nas terras dos assentados e a erosão vem destruindo o solo. Outra problema é a falta de recursos para o plantio de lavouras. "Não há como plantar este ano, pois a linha de crédito para os assentados foi extinta", disse.
Nota - Em nota oficial o MST do Pontal informou que foi obrigado a ocupar os escritórios do Itesp diante da grave situação nos acampamentos e assentamentos. Lembra que em reunião no dia 7 de dezembro o governador Mário Covas assumiu o compromisso de liberar vários créditos de investimentos para o Pontal, mas não cumpriu a palavra empenhada. Segundo a nota a ocupação dos escritórios é por tempo indeterminado.

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