Sem-terra ocupam sede do Incra em Cuiabá
Cuiabá, 21 (AE) - Mais de um mil trabalhadores rurais sem-terra ocupam desde ontem a sede do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Cuiabá. Eles ocuparam o prédio reivindicando recursos e desapropriação de 55 fazendas para assentamento de 6 mil famílias no Estado. Ao contrário de outras invasões, desta vez o Movimento dos Sem-Terra (MST) alega que só deixa o local depois da emissão dos títulos das propriedades. Para tanto, os trabalhadores estão estocando alimentos para pelo menos 2 meses no local.
Segundo Adevair Aparecido, da direção estadual do MST, a invasão é para pressionar o Incra a cumprir reivindicações "antigas". "São todas reivindicações apresentadas em novembro do ano passado, para as quais o superintendente prometeu resolução rápida: na prática não conseguimos nada e por isso estamos aqui", disse.
O superintendente do Incra, Clóvis Cardoso, informou que vai obedecer a portaria 325 do Ministério da Justiça, que determina a não negociação das reivindicações enquanto o órgão estiver ocupado. "Pedi que a Secretaria de Segurança e a Polícia Federal resguardem o prédio porque na quinta-feira entrarei na Justiça com o pedido de reintegração de posse", informou Clóvis.
Os trabalhadores rurais se deslocaram de vários municípios para ocupar a sede do Incra. Caso não haja acordo eles prometem invadir o Palácio Paiaguás (sede do governo). "Trouxemos 70 sacas de arroz e feijão para ficarmos aqui o tempo que for necessário", diz Osmar Tolomeu, da coordenação estadual do MST.
O MST tem 32 assentamentos em Mato Grosso com cerca de 3 mil famílias. Dessas nem todas receberam os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no valor de R$ 9,5 mil para cada família.





