Recife- Cerca de 50 sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra ocuparam ontem pela manhã a Prefeitura de Caruaru, no agreste, a 130 quilômetros do Recife, pedindo comida e água para 600 famílias que vivem acampadas ou assentadas no município.
Anteontem o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) solicitou ajuda ao governo federal para atender às populações castigadas pela seca em Pernambuco.
Os manifestantes permaneceram no prédio da prefeitura das 9 horas até ao meio-dia (hora de Brasília) e prometeram voltar na quarta-feira para negociar com o prefeito Tony Gel (PFL), que estava fora da cidade.
''Se nossas reivindicações não forem atendidas, acamparemos na prefeitura por tempo indeterminado'', avisou o cooordenador do MST no agreste, Luiz Fernando dos Santos Silva, ao destacar que os sem-terra estão passando fome e sede. ''Os trabalhadores chegaram a plantar três vezes este ano, lavoura de subsistência, mas nada colheram'', informou. Disse que os sem-terra também querem tratores para limpar os açudes que estão secos e cheios de lama, a fim de prepará-los para o próximo período chuvoso, além de plástico para os acampamentos e assentamentos.
Santos Silva disse que a carga de um caminhão-pipa custa de R$ 60,00 a R$ 70,00 e o MST não pode arcar com esta despesa. Ele lembrou que há dois meses os sem-terra fecharam a BR-232 pedindo 450 cestas básicas à Prefeitura de Caruaru. ''Até agora só forneceram 200 quilos de alimentos, o que não dá para nada.''

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