Sem-terra ocupam prédio do Incra-BA e tomam seis reféns
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 28 (AE) - Cerca de dois mil trabalhadores rurais sem-terra ocuparam, hoje pela manhã, a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Salvador e tomaram seis funcionários do órgão como reféns. As polícias Federal e Militar foram avisadas pela direção do órgão, que pediu a desocupação do prédio, o que não havia ocorrido até o início da tarde de hoje.
A ocupação faz parte do Grito da Terra Bahia 99. A intenção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), do Movimento de Luta pela Terra (MLT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) é pressionar o governo a apressar a vistoria de áreas improdutivas, a liberar o crédito agrícola para assentamentos já consolidados, fazer um programa de alfabetização, além de cumprir uma imensa pauta de reivindicações. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não participa do movimento.
O presidente da Fetag, Édson Pimenta, disse que os trabalhadores pretendem ficar no Incra pelo menos até a sexta-feira(30) caso a direção nacional do órgão não abra negociações. Os dois mil trabalhadores estão acampados nos corredores do prédio do Incra. "Não entramos nas salas para evitar que nos acusem de depredação", disse Pimenta.
Reféns - Os seis funcionários estão sendo bem tratados, de acordo com os trabalhadores. "Nós estamos dando água, alimentação, tudo que eles pedem", disse, Pimenta, informando que só pretende liberar os reféns se o superintendente-adjunto do órgão na Bahia, Luís Gugé (o superintendente titular Clesson Dias Monte está em Brasília) for até o prédio negociar.
Por telefone Gugé respondeu a Pimenta que só iria se os trabalhadores saíssem do local. Ele informou aos trabalhadores ter pedido providências à Policia Militar e à Polícia Federal para desocupar o prédio. Os sem-terra prometem resistir.


