Sem-terra ocupam prédio da Secretaria do Meio Ambiente
Israel Reinstein
De Curitiba
Cerca de 200 sem-terra ocuparam ontem o prédio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Os manifestantes reivindicavam o pagamento dos salários de 23 técnicos agrícolas, que trabalham pelo governo nos assentamentos rurais e não recebem desde maio.
Há sete anos, o governo estadual firmou um convênio com a Cooperativa dos Assentamentos de Reforma Agrária, que este ano, além de não pagar os profissionais, não sinalizou se vai renovar o convênio, reclama um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Roberto Baggio.
Baggio afirma que esses técnicos estão hoje trabalhando sem receber, sendo ajudados pelas prefeituras e assentamentos para não interromper as atividades. O governo estadual deve R$ 79 mil para os profissionais, além de dinheiro para o custeio de deslocamento e moradia, explica.
Os sem-terra querem que o governo deposite o que deve ainda esta semana, para que os técnicos não interrompam o trabalho. Ontem, o assessor fundiário do governo estadual, Antônio Carlos da Costa Coelho, se reuniu com os manifestantes para tentar chegar a um acordo, o que não ocorreu. Os sem-terra deixaram o prédio no início da noite e as negociações continuam na semana que vem.
Na pauta de discussão com Coelho, estava prevista a retomada das conversações para renovar o convênio com a cooperativa dos assentamentos. A intenção é que o governo cumpra o acordo estabelecido na vinda do ministro Raul Jungmann, ocorrida em setembro. São necessários R$ 700 mil ao ano para custear o programa que atinge cerca de cinco mil famílias, diz.
A intenção do MST é forçar o governo estadual a retomar a conversação sobre outros convênios pendentes. Roberto Baggio afirma que os sem-terra devem realizar movimento semelhante junto às secretarias estaduais do Trabalho e da Educação.
O coordenador do MST reforçou que o movimento vai acompanhar com maior atenção o cumprimento das datas estabelecidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Ficou estabelecido até o dia 10 de novembro a desapropriação de 25 mil hectares. Não vamos mais discutir estes assentamentos e voltamos a conversar, no dia 16, apenas para falar da programação para as seis mil famílias restantes, avisa.





