Belém, 30 (AE) - Sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam hoje, pela terceira vez, a fazenda Cabaceira, em Marabá, no sul do Pará. As 850 famílias haviam sido despejadas do local na última segunda-feira (26) por 500 homens da Polícia Militar e estavam acampadas nas dependências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
As famílias começaram a chegar durante a madrugada em caminhões do MST que fizeram um percurso de 25 km de Marabá até a entrada da fazenda, na rodovia PA-150. Segundo a direção estadual do MST, a reocupação ocorreu porque a direção do Incra da região não providenciou uma nova área para abrigar as famílias despejadas. O movimento também acusa o governo do Pará de descumprir um acordo que previa levantamento sobre a documentação legal da Cabaceira e uma vistoria na área, que seria feita conjuntamente pelo Incra e Instituto de Terras do Pará (Iterpa).
O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Marabá, José Batista Afonso, afirmou que as famílias voltaram para a Cabaceira porque "cansaram de esperar uma solução das autoridades federais e estaduais". Ele disse que há centenas de crianças, várias delas desnutridas e com problemas de saúde entre os sem-terra, mas que isso "não parece ter sensibilizado o governo".
O secretário de Defesa Social do Pará , Paulo Sette Câmara, ficou irritado ao saber da reocupação da fazenda. Para que a polícia volte a despejar as famílias será necessário nova liminar de reintegração de posse.
Prisão - Em Parauapebas, a Polícia Civil prendeu Waldemar Barbosa de Oliveira, presidente da Associação dos Agricultores do município, acusado de matar os sindicalistas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), na região, Francisco Fonseca dos Santos e José Antonio de Souza, o Ceará. Ambos foram assassinados quando tentavam invadir a fazenda Carajás, em dezembro de 98. Ele confessou o crime e acusou a Fetagri de incentivar a ocupação de áreas onde já vivem famílias assentadas.

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