Sem-terra ocupam pátio do escritório do Incra no interior de RO
Porto Velho, 23 (AE) - Mais de 100 famílias de trabalhadores rurais sem-terra, lideradas pelo Movimento Camponês Corumbiara (MCC) ocuparam no final da tarde de ontem o pátio do escritório do Instituto Nacional Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Machadinho DOeste (a 350 quilômetros de Porto Velho). Eles reivindicam a remarcação dos lotes do Projeto de Assentamento Rural Palma Arruda, abertura de estradas e assistência médica e alimentícia às famílias assentadas. Os líderes dos acampamentos informaram que a previsão é levar cerca de 290 famílias à sede do Incra, "onde vamos ficar por tempo indeterminado, até que o governo federal, através do Incra, possa atender nossas reivindicações."
O representante do MCC, Adelino Ramos, um dos sobreviventes do Massacre de Corumbiara, disse que o Incra não vem cumprindo os acordos firmados anteriormente e que os sem-terra pretendem se reunir com representantes do instituto, a partir de hoje. "Não temos mais tolerância. Já esperamos demais", disse ele.
O Incra informou hoje que uma equipe do 5º Batalhão de Engenharia e Construção (5º BEC) já está em Machadinho pronto para iniciar os serviços de demarcação e abertura de estradas.
Em Espigão DOeste, a 500 quilômetros da Capital, cerca de 120 famílias de sem-terra que ocupam uma fazenda localizada naquele município estão sendo vítimas de atentados por parte de jagunços. A denúncia é da Coordenação da Liga dos Camponeses, que enviou um documento ao executor do Incra, em Pimenta Bueno, Fernando César Rodrigues Leal, relatando o caso. Os coordenadores do acampamento informam que se os ataques continuarem e as autoridades não tomarem nenhuma providência, eles serão obrigados a tomar medidas de defesa: "O que pode gerar um contra-ataque sangrento." Os sem-terra denunciam que já foram efetuados 20 disparos contra o acampamento. As balas causaram perfurações nas lonas e nas paredes dos barracos, chegando a quebrar vários lampiões. Eles disseram que só não foram atingidos porque deitaram-se no chão assim que escutaram os primeiros disparos.
De acordo com os sem-terra, no dia 7 de setembro eles viram clarões de lanternas cruzando o mato, "num movimento que parecia a preparação de um grande ataque". Amedrontados, apagaram todas as luzes do local para se proteger. Acusando o Incra de omissão, os sem-terra de Espigão informam que o instituto foi avisado sobre a ocupação desde junho e até agora não fez nenhuma vistoria na fazenda. Os coordenadores do acampamento solicitam do Incra a imediata vistoria e o corte da terra "para que todos os acampados possam aproveitar a chegada da chuva e garantir sua produção".





