Salvador, 15 (AE) - Mais de 300 trabalhadores rurais sem-terra ocuparam hoje o mercado municipal de Itagibá, a 307 quilômetros de Salvador, em protesto pela prisão de onze colegas
durante a reintegração de posse da Fazenda Santo Antonio, no mesmo município, no final de semana. Os detidos teriam resistido ao despejo e usado crianças como escudos humanos. A juíza Marluce Novaes Freitas determinou a prisão e a abertura de inquérito contra os acusados.
O grupo foi transferido para a cadeia da vizinha cidade de Jequié, onde permanecia preso até a tarde de hoje, embora os advogados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) tenham dado entrada em pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça da Bahia. O MST organizou o protesto em Itagibá e promete só desocupar o mercado quando os sem-terra foram soltos.
Os manifestantes montaram várias barracas na área coberta do mercado municipal e como estão com facões e foices espantaram a clientela dos armazéns e açougues do local. O prefeito de Itagibá, Gilson Fonseca (PTB), ofereceu dois terrenos fora da cidade para o MST montar acampamento, mas os dirigentes não aceitaram. "Desse jeito, a feira semanal feita no mercado na sexta e sábado terá de ser cancelada", teme o prefeito. 1 Fonseca disse que 60 policiais militares foram mobilizados para proteger o patrimônio público e os moradores, mas informou que os trabalhadores rurais estão danificando as instalações do mercado. "Vários sanitários já foram quebrados", afirmou o prefeito . "Eles deviam ir protestar em Jequié, onde os colegas estão presos, ou em frente ao Tribunal de Justiça da Bahia, em Salvador, não na nossa cidade que já tem problemas demais a resolver."

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