Sem-terra ocupam mais uma fazenda no noroeste do RS
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 24 (AE) - Uma fazenda hipotecada ao Banco do Brasil (BB) foi ocupada hoje, por cerca de 300 famílias de trabalhadores sem-terra, em Santa Bárbara do Sul, no noroeste do Rio Grande do Sul, distante 330 quilômetros da capital gaúcha. É foi a segunda área invadida no município em menos de uma semana. Na quarta-feira passada, 540 famílias haviam ocupado uma propriedade de 780 hectares, também de posse do BB. Segundo o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST/RS) Ailton Rodrigues, hoje, cerca de 300 delas dirigiram-se à segunda área, onde chegaram por volta das 5 horas.
De acordo com o MST, a área ocupada nesta segunda-feira pertencia ao fazendeiro Otair Rebelato. Porém, hipotecada ao Banco do Brasil, seria leiloada. A outra propriedade invadida em Santa Bárbara do Sul é da sucessão de Antenor Napp e igualmente estaria hipotecada ao BB. Rodrigues deseja que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) negocie com o banco as duas áreas para assentamento. Com a nova ocupação, são cinco as propriedades ocupadas no Estado em uma semana.
Na terça-feira (18), cerca de 1,1 mil famílias sem-terra invadiram três áreas. No sul do Estado, foi ocupada a Fazenda Rubira, com 4,2 mil hectares, localizada em Piratini. No centro-sul, os sem-terra instalaram-se na Dom Felipe, com 906 hectares, situada em Encruzilhada do Sul; e também invadiram a Três Pinheiros, com 2,7 mil hectares, em Lagoa Vermelha. Em dois casos - da Três Pinheiros e da área da família Napp - a Justiça já determinou a reintegração de posse aos proprietários.
"A Justiça é rápida na hora de conceder a reintegração mas lenta no momento de liberar as terras para a reforma agrária", afirmou Rodrigues. Ele sustenta que a Fazenda Rubira - uma das invadidas e em processo de desapropriação para fins de reforma agrária pelo Incra - está "travada" na burocracia e na Justiça desde 1998. "Já é a quarta vez que ocupamos a Rubira", citou. De acordo com seus cálculos, existem 1,9 mil famílias acampadas aguardando terras no Estado.
Para o MST gaúcho, as invasões representam uma forma de apressar os projetos de assentamento. A superintendência regional do Incra planejara distribuir 8,6 mil hectares até o dia 31 de março, o que não ocorreu. A explicação do instituto para o descumprimento do prazo anunciado está nos problemas judiciais e burocráticos para liberar as terras. O Incra/RS ainda não assentou nenhuma família em 2000, mas prometeu oferecer novos lotes em junho.


