Sem-terra ocupam mais uma fazenda
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segunda-feira, 14 de setembro de 1998
Eugênio Melloni Agência Estado 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupou, ontem pela manhã, a Fazenda Bonanza, no município de Rosana, no Pontal do Paranapanema, área cuja aquisição para reforma agrária está sendo negociada pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). A ocupação foi pacífica: os poucos funcionários que administram a propriedade, de aproximadamente 600 hectares, abriram espontaneamente os cadeados da porteira da fazenda para permitir a entrada das primeiras famílias que acamparão na área.
O proprietário da fazenda, Antônio Celso Pantalena, disse, por telefone, que orientou os funcionários a evitarem confusão. Acrescentou que tomou conhecimento do interesse pela imprensa e que não sabe ainda que postura adotará em relação à invasão.
De acordo com o líder regional do MST, Cledson Mendes, cerca de 30 famílias, provenientes do acampamento Taquaruçu, vão acampar em uma área próxima da sede da fazenda. Mendes acrescentou que a intenção inicial era ocupar a sede da propriedade, mas que o proprietário lhe ofereceu como alternativa uma área de 2 alqueires já gradeada, onde os sem-terra farão o plantio de culturas de subsistência. O líder do MST disse ainda que o proprietário garantiu que não entrará com o pedido de reintegração de posse.
Segundo o administrador da fazenda, Edmilson Ferreira de Souza, o MST comprometeu-se a não tocar nas 600 cabeças de gado do proprietário. O administrador disse que ele e seu irmão Antônio, que o ajuda a administrar a propriedade, pretendem obter lotes de terra assim que a fazenda for incorporada para a reforma agrária.
Com a invasão, o MST do Pontal considera que marcou mais um ponto na disputa por terras com o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (MAST), que começa a acentuar-se na região. O MAST, ligado à central sindical Social Democracia Sindical, foi constituído há poucos meses com a união de 10 movimentos sociais dedicados à luta pela reforma agrária no Pontal do Paranapanema.
José Rainha Júnior formalizou ontem, pela manhã queixa de ameaça, constrangimento ilegal e disparo de arma de fogo, em que teriam sido vítimas sem-terra dos acampamentos Chico mendes e Antônio Conselheiro, nos municípios de Mirante e Sandovalina. Segundo Rainha, entre a tarde de domingo e a manhã de ontem, pessoas não identificadas - mas que ele acredita serem seguranças das fazendas Santa Rita e São Domingos - ocupando uma caminhonete, teriam efetuado diversos disparos para o alto nas proximidades do acampamento Chico Mendes.
Outro grupo, dentro de uma Saveiro, passou pelo assentamento Antônio Conselheiro, usando holofotes para iluminar os barracos. Pela manhã, ocupantes de um Voyage chegaram a parar um ônibus de sem-terra para fazer ameaças e pouco depois repetiram a ação contra um ônibus de passageiros da região.
Rainha advertiu ao delegado de Teorodo Sampaio, Donato Farias de Oliveira e ao comandante da Polícia Militar, capitão Armando Belantani Filho, que estas ações podem provocar reações dos sem-terra. Nunca se sabe se em algum daqueles barracos existe uma espingarda velha, argumentou.


