Sem-terra ocupam mais uma fazenda
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Luiz Carlos Lopes 
Agência Estado,
de Teodoro Sampaio
Cerca de 200 famílias lideradas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema ocuparam na madrugada de ontem a fazenda Santa Terezinha, no município de Santo Anastácio, interior de São Paulo.
O líder dos sem-terra, José Rainha Júnior, que não participou diretamente da ação, informou que a ocupação faz parte da estratégia de intensificar as atuações do MST na região e previu novas ocupações para os próximos dias. Esta foi a 9ª fazenda ocupada este mês pelos sem-terra do Pontal.
Localizada ao lado da Destilaria de Álcool Dalva, que segundo Rainha está em processo de insolvência devendo três meses de salários a seus mais de 200 empregados, a fazenda Santa Terezinha foi ocupada por ser considerada improdutiva pelo MST que quer atrair os desempregados da usina para a luta em favor da reforma agrária na região.
Há dez dias Diolinda Alves de Souza, mulher de Rainha, reuniu-se com os trabalhadores da destilaria Dalva, que, na época, ocuparam os escritórios da empresa para exigir o pagamento dos salários em atraso. A própria destilaria está na mira do MST. Depois de dizer que queremos questinar o Proálcool, Rainha informou que a empresa, que também possui terras na região, tem muitas dívidas em impostos o que poderá servir para que o Governo Estadual assuma seu controle para posterior transferência aos sem-terra. Vamos propor a compra da destilaria através do Procera, disse.
Rainha disse que a aquisição da usina pode reforçar a estratégia do MST de implementar a produção agrícola entre os assentados da região. Pretendemos provar que sabemos administrar e que em nossas mãos a destilaria dará bons resultados, afirmou.
Destilaria de
álcool vizinha
da fazenda está
na mira do MST
A ocupação da Santa Terezinha começou à 1 hora de ontem e, ao contrário de outras ações, os sem-terra entraram por uma porteira, sem destruir as cercas. Também não usaram tratores. As 200 famílias foram transportadas em ônibus e caminhões desde o acampamento Santa Rita, distante cerca de 70 quilômetros, em Mirante do Paranapanema e, segundo o dirigente regional Gilmar Contarato, antes de aderir ao MST, todas residiam em Santo Anastácio.
Contarato informou ainda que a expectativa do MST é fazer com que nos próximos dias mais de 500 famílias estejam integradas ao acampamento. Segundo ele, ontem mesmo alguns desempregados da destilaria Dalva procuraram a direção do acampamento demonstrando interesse em aderir ao movimento. Também são esperados desempregados de Pirapozinho, Tarabai, Costa Machado e Mirante do Paranapanema.
A fazenda, com 1.500 hectares, pertence a Henriqueta Barbosa Daneluzzi, tradicional pecuarista residente em Presidente Prudente. O genro da proprietária, Horácio Caetano Barleta, informou que ainda ontem a família ingressaria com pedido de reintegração de posse na Justiça de Santo Anastácio. A ação seria proposta pelos advogados da União Democrática Ruralista (UDR) do Pontal.
De acordo com Barleta, trata-se de uma propriedade legalizada e produtiva. Possui cerca de 4.500 bovinos de cria e recria e pertence a família Daneluzzi desde 1938. O MST contesta estas informações e garante que a Santa Terezinha não atende a suas finalidades sociais. Além de improdutiva, a propriedade está localizada em área onde existem diversas fazendas declaradas devolutas. Mesmo que seja particular, queremos que o Incra faça a vistoria para fins de desapropriação, disse Rainha.


