Recife, 22 (AE) - Sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) fizeram mais três ocupações de terra na madrugada de hoje, na zona da mata norte de Pernambuco. Desde o sábado, foram invadidas 41 áreas no Estado, 11 delas reocupações. Foram ocupados hoje, por 168 famílias, o engenho Riviera, em Vicência, e os engenhos Ajudante e Loriano, da Usina Aliança, no município de Aliança, que têm área de 1,9 mil hectares.Com as ocupações simultâneas o MST tenta acelerar o processo de vistoria e a desapropriação de 121 áreas ocupadas pelo movimento. A ação também é de repúdio ao corte de verbas do Governo Federal para a reforma agrária.
A assessora de imprensa do MST, Janeide de Sousa, disse que a intenção do movimento era causar impacto com um grande número de ocupações ao mesmo tempo. "O trabalho de mobilização vinha sendo feito há muito tempo", explicou. "E o fato de se ter conseguido uma ação tão grande mostra como tem gente sem emprego, na miséria e sem esperança."
De acordo com o MST, três mil famílias participaram das invasões, que marcam a 1ª Jornada de Ocupações do ano. Segundo Janeide de Sousa, a maioria das pessoas está desempregada e vive na periferia das cidades. "A situação é séria, pois só quem não tem mesmo nada é que topa ir para debaixo de um pedaço de lona preta, por tempo indeterminado e correndo risco, numa luta que demora uma eternidade até se conquistar um pedaço de chão".
O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Roosevelt Gonçalves, recebeu do MST-PE uma relação das propriedades ocupadas e o pedido de vistoria. Ele afirmou serem necessários pelo menos 15 dias para visitar todas as áreas e disse que o Incra não tem capacidade para fazer vistorias em todos esses locais.

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